Qui, 09 Jul, 04h14
PARIS (AFP) - A alta-costura, atividade considerada deficitária, garante aos gigantes mundiais do luxo, como Chanel e Dior, uma incomparável vitrine para seu prêt-à-porter, seus perfumes e acessórios mais rentáveis. No entanto, outras marcas acabam tendo necessidade de encontrar novos nichos de mercado para continuarem trabalhando.
"Temos que aceitar a idéia de que a alta-costura representa hoje um nível superior do prêt-à-porter", disse à AFP Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa de Costura, em ocasião dos desfiles para a próxima temporada outono-inverno que terminaram nesta quarta-feira em Paris.
Esta opinião não é unânime no mundo do luxo, que viu o número de maisons de alta-costura diminuir vertiginosamente desde metade do século passado: de uma centena em 1945 a 11 hoje. Graças a essa diminuição, os critérios para obter a prestigiosa denominação com Alta-Costura, como o número reduzido de peças fabricadas e costura à mão, foram flexibilizados em 2001.
Entretanto, o prêt-à-porter apareceu e se impôs. Com exceção para as marcas "históricas" Chanel, Dior e Givenchy, criadas respectivamente em 1909, 1946 e 1952, as outras oito são muito mais recentes, como Jean Paul Gaultier (1977), Christian Lacroix (1987) e Anne-Valérie Hash (2001).
A 'head hunter' Floriane de Saint-Pierre, presidente do gabinete de contratações de moda, considera que "não pode haver um só modelo econômico,pois há maisons que têm mais de 60 anos e por isso mais possibilidades de ostentar um estatuto de marca que as que são mais recentes e têm um estatuto de nicho".
"Se procuramos um fio condutor entre essas duas realidades tão diferentes, poderíamos encontrar na palavra excelência, fazendo avançar através de uma estética própria a pesquisa relativa ao vestir", afirma.
Para a maison Chanel, a alta-costura está viva, e bem viva. Não é apenas "muito importante para a imagem da casa", mas também se vende, como no "ano recorde" em 2008, indica Bruno Pavlosky, que dirige a divisão de moda da marca.
Sidney Toledano, presidente da Christian Dior Couture, crê assim mesmo no futuro da alta-costura. "A economia e a gestão das empresas permitem aos criadores ir mais longe", mas "isto não pode ser feito em uma pequena maison. A menos que seja feito como um pequeno artesão", acrescentou. Seria possível "se a configuração é a de um artesanado de grande luxo, como Hermès ou Louis Vuitton em seu início", diz o consultor Jean-Jacques Picart. "É necessário, para isso, encontrar uma rentabilidad adaptada ao excepcional.
E também encontrar um financiador ousado que queira investir em um modelo que não existe mais", diz, referindo-se à situação de Christian Lacroix, que busca um comprador para sua maison desde que foi colocada sob administração judicial.
Christian Lacroix imagina um futuro para sua marca "com uma costura que seja tão delicada como a que é feita hoje, um prêt-à-porter que não busque expandir muito rápido em todo o mundo". "Não precisamos ter 36 lojas imediatamente", acrescenta o estilista.
Anne-Valérie Hash optou por um modelo econômico muito modesto. Sua marca, que obteve a denominação de Alta-Costura no fim de 2007, tem 14 funcionários. Não possui uma linha de acessórios ou de perfumes, somente Alta-Costura "para a imagem de prestígio" (modelos exclusivos) e duas linhas de prêt-à-porter (luxuoso mas acessível) "que se vendem".
A marca não tem lojas próprias, mas vende em 150 multimarcas em todo o mundo. A exportação representa 90% de seu faturamento.
"Avançamos lentamente, mas com segurança. O que conta é existir amanhã", declara a estilista, que não apresentou desfile esta temporada graças a crise, que considera "um momento salvador para abordar as questões corretas".
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