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Madame Carven completa 100 anos como estilista favorita das mulheres "PP"

Seg, 13 Jul, 05h39

PARIS (AFP) - "A alta-costura me trouxe felicidade, foram os melhores anos da minha vida", disse uma sorridente Madame Carven durante um evento antecipado para comemorar seu aniversário de 100 anos.

Com apenas 1,55m de altura, vestindo meias, por um século esta estilista foi a favorita das mulheres pequenas, as do tipo "mignon", seja na altura ou no tamanho das roupas.

Em reconhecimento à sua contribuição para a moda e com a chegada de seu aniversário de 100 anos, em 31 de agosto, a Federação Francesa de Alta-Costura organizou uma festa para "Madame" Carven nos jardins do Museu Galliera, no último dia dos desfiles de Alta-Costura para o inverno 2010. "Eu conheço este lugar muito bem. Aqui, sempre mostrei minhas coleções", disse Carven em entrevista à AFP.

Frustrada com a falta de roupas para mulheres pequenas como ela, Carmen de Tommaso desistiu dos planos de ser arquiteta ou design de interiores e resolveu ela mesma resolver os problemas da mulher "PP". Em 1945 ela abriu sua primeira Maison, com o nome de "Carven".

Seu estilo fresco e despreocupado se transformou em moda quando conquistou atrizes como a francesa Leslie Caron -que trabalhou com Gene Kelly em "Um Americano em Paris", ganhador do Oscar em 1951- e a loura Martine Carol, além de jovens em todo o mundo, incluindo a mulher do presidente francês Valery Giscard d'Estaing, para quem desenhou o vestido de noiva.

"A Alta-Costura me trouxe grande felicidade, a alegria de criar. Eu fiz tudo o que pude para fazer a mulher ficar linda" diz Carven, de elegância imaculada em seu tailleur verde, sua cor favorita, com um colar de pérolas.

"Eu comecei sem ajuda de ninguém. Hoje você precisa de um patrocinador, tudo é muito caro, muito difícil.".

O ministro francês da Cultura, Frederic Mitterrand, sobrinho do ex-presidente, homenageou Madame Carven como "uma das maiores forças criativas na moda francesa e internacional". Em um tom mais pessoal, ele lembrou que sua mãe "sempre se vestiu com Madame Carven" e que por isso é como se ela fizesse "parte da família".

"Ela foi a primeira a ter coragem de fazer prêt-à-pôrter, ela foi revolucionária", disse o presidente da Federação, Didier Grumbach, que já trabalhou para Carven.

"Eu vendia vestidos da Carven e levei a marca para os Estados Unidos, em 1964," disse Grumbach, recebendo aplausos dos convidados, que incluiam os estilistas Jean-Charles de Castelbajac e Claude Montana, o CEO da Louis Vuitton Yves Carcelle e muitos amigos pessoais de Carven.

Nos tempos de pós-guerra, marcados pelo retorno do sucesso de estilistas masculinos como Christian Dior e Jacques Fath, Madame Carven "era uma espécie de exceção" segundo Florence Miller, professora do Instituto de Moda Francês.

"Ela tinha a intuição e o apelo para jovens mulheres em um tempo de estilistas que vestiam mulheres mais velhas", disse Florence. Seu estilo era prático, leve, muito feminino, muito próximo do que mulher quer hoje, acrescentou. "Ela não queria construir uma imagem espetacular para sua marca, como Dior, por exemplo".

"Quando eu era jovem, dois nomes eram exemplos para mim: Carven e Paris", lembra Lady Nancy Chopard-Sain, uma senhora de look vibrante, com um casaco turquesa com flor no cabelo combinando, que diz ser grande amiga de Carven por "muito, muito tempo".

Madame Carven desistiu de criar em 1993, aos 84 anos, para se concentrar em sua paixão por móveis antigos e antiguidades em geral. Hoje sua Maison pertence ao grupo parisiense SCM, que abandonou a Alta-Costura e tem como foco o prêt-à-portêr.

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