AFP

Chávez reconhece independência de Ossétia do Sul e Abkházia em Moscou

Qui, 10 Set, 12h37

MOSCOU, Rússia (AFP) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, agradou nesta quinta-feira a Rússia e enfureceu a Geórgia, ao anunciar durante uma visita a Moscou o reconhecimento por seu país da independência das regiões separatistas georgianas de Ossétia do Sul e Abkházia.

Caracas e Moscou também assinaram uma série de acordos energéticos e defesa durante a nova visita de Chávez à Rússia.

"A Venezuela se junta a partir de hoje ao reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkházia", declarou Chávez na residência do presidente russo, Dimitri Medvedev, nos arredores de Moscou, em Barvija, e prometeu estabelecer "muito em breve" relações diplomáticas com as duas.

Desta forma, a Venezuela se tornou o terceiro país a reconhecer a soberania dos dois territórios georgianos, após a Rússia e a Nicarágua. Moscou já reconheceu sua independência após a guerra russo-georgiana de agosto de 2008 pelo controle da Ossétia do Sul.

A Geórgia, ex-república soviética aliada dos Estados Unidos, criticou a decisão venezuelana e amenizou sua importância.

O vice-presidente georgiano, Temur Iakobachvili, afirmou que Chávez é apenas uma personalidade "marginal" e que sua "decisão foi anormal e não terá consequências políticas importantes".

Em contrapartida, o presidente russo, Dimitri Medvedev, se declarou admirado: "Obrigada, Hugo, você deu uma série de declarações sérias e importantes", disse ao dirigente venezuelano. "Neste momento, a ideia do reconhecimento de dois novos Estados foi manifestada", acrescentou, citado pelas agências russas.

O presidente abkházio, Serguei Bagpach, também agradeceu Chávez pelo gesto e prometeu "o desenvolvimento de relações políticas e econômicas as mais estreitas possíveis".

Segundo a edição do jornal russo, Kommersant, o Kremlin queria obter o reconhecimento destes dois territórios, considerando que a Venezuela precisa de um crédito de Moscou para poder comprar o armamento russo que quer.

De acordo com a imprensa russa, a Venezuela quer comprar tanques T-72 e T-90, helicópteros, veículos blindados para o transporte de tropas, submarinos e sistemas antimísseis.

Medvedev afirmou, por sua vez que a Rússia está disposta a vender armas à Venezuela.

"Forneceremos à Venezuela as armas que pedir. De acordo com as leis internacionais, claro", disse o presidente russo. Entretanto, os dois líderes não assinaram nenhum contrato durante esta visita.

Por outro lado, fecharam um acordo cooperação militar entre os dois ministérios da Defesa, cujo conteúdo não foi revelado.

A sociedade Petróleos de Venezuela (PDVSA) e o Consórcio Petrolífero Nacional Russo (formado por Rosneft, Lukoil, Gazprom neft, TNK-BP e Sourgoutneftegaz) concordaram em criar uma empresa conjunta para a exploração do bloco Junin 6, na faixa petrolífera do Orinoco.

A companhia Transneft, que tem o monopólio dos oleodutos russos, também fechou acordo com a PDVSA para cooperação a longo prazo para desenvolver as infraestruturas na Faixa do Orinoco.

RECOMENDE ESTA NOTÍCIA

Minha recomendação:

Média (Not Rated)

0.0 stars