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Ex-pioneiro sul-coreano da clonagem condenado por fraude

Seg, 26 Out, 12h19

SEUL, Coreia do Sul (AFP) - O ex-pioneiro da clonagem sul-coreano Hwang Woo-suk, que caiu em desgraça por ter falsificado o que seriam inovações científicas mundiais, foi condenado nesta segunda-feira a dois anos de prisão com sursis por fraude.

A promotoria solicitara uma pena de quatro anos de prisão.

Hwang, 56 anos, foi acusado em 2006 de fraude, desvio de verbas e violação da bioética, o que poderia resultar em uma pena de cinco anos de prisão.

O tribunal o considerou culpado de desvio de 830 milhões de wons (704.000 dólares) e de violações às leis da bioética.

O cientista permaneceu impassível ao ouvir a sentença e deixou o tribunal sob os aplausos de quase 100 simpatizantes.

Hwang perdeu todos os títulos universitários e científicos e foi afastado do mundo das pesquisas, depois de ser considerado culpado pelos colegas da Universidade de Seul de ter falsificado duas "descobertas mundiais" no campo da clonagem terapêutica.

Uma das inovações foi a suposta extração, em 2004, de uma linha de células-tronco a partir de embriões obtidos por clonagem, que foi seguida, em 2005, por uma segunda suposta conquista ainda mais importante: a produção de 11 colônias de células-tronco.

Os anúncios geraram grandes expectativas no tratamento de câncer, diabetes e mal de Parkinson.

Mas a reputação do cientista foi abalada quando um canal de TV sul-coreano informou em novembro de 2005 que o cientista havia violado as leis da bioética utilizando oócitos proporcionados por suas colaboradoras e pagando por doações de óvulos, duas práticas estritamente proibidas.

Mais tarde, a justiça também descobriu que o professor desviou 2,8 bilhões de wons (três milhões de dólare) de verbas públicas e privadas concedidas a suas pesquisas.

Parte do dinheiro foi utilizada para pagar as doadoras de óvulos, em outra violação das leis da bioética.

O tribunal também confirmou nesta segunda-feira que o cientista sabia que sua equipe havia "exagerado ou manipulado" o resultado de certos experimentos.

No entanto, não ficou provado que o cientista tenha ordenado a sua equipe que realizasse as manipulações.

Segundo a investigação judicial, Hwang era o cérebro da manipulação que levou a comunidade científica a acreditar em um grande avanço na área da clonagem terapêutica.

Um de seus assistentes, Kim Sun-jong, era o encarregado de produzir as células-tronco a partir de embriões obtidos por clonagem.

Diante da impossiblidade de cumprir a missão, o assistente recorreu a células-tronco comuns do laboratório de Hwang e as apresentou como produto de uma clonagem.

O advogado de Hwang alegou que o professor foi vítima da farsa montada por seu assistente.

Wang também trabalhou na clonagem de animais e conseguiu clonar um cão em agosto de 2005.

"Seus brilhantes resultados na pesquisa animal, seu sincero arrependimento e o fato de que já foi punido por seus colegas devem ser levados em consideração", afirmaram os juízes na sentença.

Apesar de ter escapado da prisão, o professor anunciou que seus advogados estudam a possibilidade de apelar da decisão por considerá-la injusta.

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