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Rússia 'surpresa' com decisão da General Motors sobre a Opel

Qua, 04 Nov, 11h36

MOSCOU, Rússia (AFP) - O governo russo está surpreso com a decisão da General Motors de desistir de vender a Opel para um consórcio canadense-russo, afirmou nesta quarta-feira Dimitri Peskov, porta-voz do primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin.

"A decisão da General Motors causa surpresa na Rússia, e em especial, no governo russo", disse Peskov, citado pelas agências de notícias russas.

A General Motors chegou a um acordo preliminar concluído em setembro para vender a um consórcio, integrado pelo banco russo estatal Sberbank e pela fabricante de auto-peças canadense Magna, 55% das ações da Opel.

"De acordo com nossas informações, o consórcio Magna-Sberbank tem a intenção de realizar negociações com a General Motors em breve e de efetuar uma profunda análise legal da situação", acrescentou Peskov.

Mais cedo, o ministro alemão da Economia, Rainer Brüderle, afirmou que "o comportamento da General Motors é absolutamente inaceitável".

O ministro exigiu que a "General Motors revele mais rapidamente possível os seus planos de reestruturação" da Opel, que tem quatro fábricas na Alemanha. As declarações foram feitas antes de um conselho de ministros que será dedicado em grande parte para este assunto.

Brüderle afirmou que o anúncio da GM era "inaceitável para os seus empregados, faltando apenas oito semanas para o Natal, especialmente após eles concordarem em realizar reduções salariais".

Dado o ambiente econômico "melhorado", uma melhor "saúde financeira" e "a importância da Opel/ Vauxhall" para a sua estratégia internacional, a General Motors anunciou na quarta-feira que decidiu manter a Opel, após meses de negociação com a empresa canadense Magna, associada da russa Sberbank.

A GM, que "iniciará uma verdadeira reestruturação de suas operações europeias (...), apresentará seu plano de reestruturação à Alemanha e a outros governos com a esperança de que o recebam favoravelmente", disse Fritz Henderson, PDG do grupo americano.

A General Motors havia anunciado sua intenção de vender a Opel à canadense Magna (autopeças) e a seu sócio russo Sberbank (banco), mas a negociação empacou em fevereiro, devido a considerações da União Europeia sobre a transferência de recursos e o destino de 10.500 dos cerca de 50 mil funcionários da filial europeia.

Após meses de negociações, a GM anunciou, em setembro, que um consórcio composto pela Magna e pelo Sberbank compraria 55% da Opel e da montadora britânica Vauxhall. Os funcionários ficariam com 10% e a General Motors, com 35%.

Depois do anúncio, vários especialistas questionaram o projeto e suas possíveis consequências, como o fechamento de fábricas e a supressão de empregos, além da capacidade da Magna para assumir a tarefa.

A venda era rejeitada especialmente por Manfred Wennemer, membro do conselho de administração da Opel e escolhido pelo governo alemão para representá-lo na transação.

Nos últimos meses, a Alemanha exerceu forte pressão para que essa operação fosse realizada, o que permitiria, segundo Berlim, preservar mais empregos.

O governo alemão "vai recuperar o dinheiro do contribuinte", disse o ministro, fazendo referência ao empréstimo de 1,5 bilhões de euros concedido à GM Opel.

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