Qua, 04 Nov, 02h35
WASHINGTON, EUA (AFP) - Os Estados Unidos esperam que a violência no Irã possa ser contida, anunciou a Casa Branca nesta quarta-feira, depois que a Polícia e manifestantes opositores entraram em confronto em Teerã.
"Obviamente, vimos e acompanhamos as informações a respeito disto e esperamos realmente que a violência não se espalhe, e, de novo, observamos tudo claramente e com atenção", disse o porta-voz Robert Gibbs.
A Polícia reprimiu com bastões e bombas de gás lacrimogêneo um protesto da oposição no centro de Teerã nesta quarta-feira, no momento em que uma multidão participava de uma barulhenta marcha para celebrar o 30º aniversário da invasão da embaixada dos Estados Unidos na capital iraniana.
Testemunhas disseram que os choques ocorreram na Praça Haft-e-Tir, no coração da capital, onde centenas de opositores haviam se reunido durante a manhã para protestar contra o presidente Mahmud Ahmadinejad.
Segundo fontes locais, vários manifestantes teriam sido feridos ou presos.
Apesar da proibição das autoridades, os opositores que contestam a reeleição, em junho, do presidente Mahmud Ahmadinejad, saíram às ruas, aproveitando a organização, por parte do governo, de um evento para marcar o 30º aniversário da tomada da embaixada americana em Teerã.
Os oposicionistas gritavam "Allah Akbar" (Deus é grande) e "Morte ao ditador". O protesto ocorreu na Praça Haft-e Tir, apenas a alguns metros do evento oficial, onde milhares de pessoas se reuniram perto da antiga embaixada.
Na avenida que leva a Praça Haft-e Tir, dois grupos de manifestantes se enfrentaram, um da oposição e outro pró-Ahmadinejad. Partidários do governo gritavam "Morte à América" e a oposição respondeu "Morte à Rússia". A polícia também tentou dispersar o último grupo.
Segundo a agência oficial Irna, os opositores atearam fogo em latas de lixo e veículos, quebraram janelas de ônibus e atacaram dois policiais que tiveram de ser hospitalizados.
Centenas de policiais foram mobilizados para garantir a segurança, após os avisos das autoridades sobre a possibilidade de manifestações contra o governo.
Nos últimos dias, sites ligados à oposição pediram que opositores se reunissem em eventos contra Ahmadinejad.
Diante da antiga embaixada americana, manifestantes agitavam bandeiras do Irã e gritavam os habituais motes: "Morte a Israel" e "Morte à América".
Em um discurso para partidários do governo, o ex-presidente do Parlamento Gholam Ali Hadad Adel disse que "o povo iraniano vai mudar seus pontos de vista sobre os Estados Unidos quando eles mudarem sua atitude em relação ao Irã".
"Nós dizemos aos líderes americanos: não tentem nos amedrontar com a ameaça de sanções. O povo iraniano está disposto a fazer sacrifícios", disse, em referência às ameaças do Ocidente de impor novas barreiras ao Irã por seu programa nuclear.
Em 4 de novembro de 1979, estudantes islâmicos tomaram de assalto a embaixada americana, cujos diplomatas foram mantidos com reféns por 444 dias. Esta tomada de reféns provocou a ruptura das relações diplomáticas entre os EUA e o Irã.
Desde então, a cada ano se organiza uma manifestação em Teerã diante da antiga embaixada.
Mais cedo, em um comunicado, o presidente Barack Obama destacou que o Irã deve "escolher" entre ficar preso no passado ou tomar um caminho de "prosperidade e justiça para seu povo".
O grande aiatolá dissidente Hossein Ali Montazeri declarou nesta quarta-feira que a tomada de reféns da embaixada dos Estados Unidos em 1979 foi um erro.
"A ocupação da embaixada americana teve a princípio o apoio dos revolucionários iranianos e do aiatolá Khomeiny, e eu também a apoiei", afirma Montazeri em seu site.
"Mas, dadas as repercussões negativas e a grande comoção que este ato produziu no povo americano, e que continua existiendo, (...) não foi correto fazê-lo", completou.
"Inclusive alguns dos que executaram a ação reconheceram que foi um erro", afirma.
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