Qua, 04 Nov, 11h54
TEERÃ (AFP) - Policiais e agentes à paisana dispersaram com gás lacrimogêneo um grupo de manifestantes da oposição que tentava se reunir no centro de Teerã nesta quarta-feira, no mesmo momento em que se realizava um evento oficial contra os Estados Unidos.
Vários manifestantes foram feridos ou presos, afirmaram fontes no local.
Apesar da proibição das autoridades, os opositores que contestam a reeleição, em junho, do presidente Mahmud Ahmadinejad, saíram para as ruas, aproveitando a organização, por parte do governo, de um evento para marcar o 30º aniversário da tomada da embaixada americana em Teerã.
Os oposicionistas gritavam "Allah Akbar" (Deus é grande) e "Morte ao ditador". O protesto ocorreu na Praça Haft-e Tir, apenas a alguns metros do evento oficial, onde milhares de pessoas se reuniram perto da antiga embaixada.
Em outra área de Teerã, na avenida que leva a Praça Haft-e Tir, dois grupos de manifestantes se enfrentaram, um da oposição e outro pró-Ahmadinejad. Partidários do governo gritavam "Morte à América" e a oposição respondeu "Morte à Rússia". A polícia também tentou dispersar o último grupo.
Segundo a agência oficial Irna, os opositores atearam fogo em latas de lixo e veículos, quebraram janelas de ônibus e atacaram dois policiais que tiveram de ser hospitalizados.
Centenas de policiais foram mobilizados na capital iraniana para garantir a segurança nesta quarta-feira, após os avisos das autoridades sobre a possibilidade de manifestações contra o governo.
Nos últimos dias, sites ligados à oposição pediram que opositores se reunissem em eventos contra Ahmadinejad.
Diante da antiga embaixada americana, manifestantes agitavam bandeiras do Irã e gritavam os habituais motes: "Morte a Israel" e "Morte à América".
Em um discurso para partidários do governo, o ex-presidente do Parlamento Gholam Ali Hadad Adel disse que "o povo iraniano vai mudar seus pontos de vista sobre os Estados Unidos quando eles mudarem sua atitude em relação ao Irã".
"Nós dizemos aos líderes americanos: não tentem nos amedrontar com a ameaça de sanções. O povo iraniano está disposto a fazer sacrifícios", disse, em referência às ameaças do Ocidente de impor novas barreiras ao Irã por seu programa nuclear.
Em 4 de novembro de 1979, estudantes islâmicos tomaram de assalto a embaixada americana, cujos diplomatas foram mantidos com reféns por 444 dias. Esta tomada de reféns provocou a ruptura das relações diplomáticas entre os EUA e o Irã.
Desde então, a cada ano se organiza uma manifestação em Teerã diante da antiga embaixada.
Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama destacou em um comunicado que o Irã deve "escolher" entre ficar preso no passado ou tomar um caminho de "prosperidade e justiça para seu povo".
O grande aiatolá dissidente Hossein Ali Montazeri declarou nesta quarta-feira que a tomada de reféns da embaixada dos Estados Unidos em 1979 foi um erro.
"A ocupação da embaixada americana teve a princípio o apoio dos revolucionários iranianos e do aiatolá Khomeiny, e eu também a apoiei", afirma Montazeri em seu site.
"Mas, dadas as repercussões negativas e a grande comoção que este ato produziu no povo americano, e que continua existiendo, (...) não foi correto fazê-lo", completou.
"Inclusive alguns dos que executaram a ação reconheceram que foi um erro", afirma.
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