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Gorbachev se diz 'orgulhoso' por seu papel na queda do Muro de Berlim

Qua, 04 Nov, 02h51

MOSCOU, Rússia (AFP) - O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev se disse "orgulhoso" por seu papel na queda do Muro de Berlim há 20 anos, rebatendo os críticos na Rússia que o acusam de ter causado a perda do Império Soviético.

"Estou orgulhoso do que nós - e refiro-me tanto aos países da Europa Ocidental e Oriental - tenhamos encontrado uma abordagem que tenha levado em conta os interesses de todos, e que essa questão extremamente dolorosa tenha acabado", disse ele aos repórteres, na terça-feira.

O ex-número um da URSS sugeriu que os líderes daquela época não tinham outra escolha, senão acabar com a divisão da Alemanha, que celebra no dia 9 de novembro o vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim.

"Se a União Soviética quisesse, ela poderia ter paralisado a reunificação. E o que teria acontecido, então? Eu não sei, talvez a Terceira Guerra Mundial", observou.

Gorbachev, de 78 anos, é criticado na Rússia ainda por sua política que teria levado a ex-União Soviética ao caos econômico e levado ao desmantelamento do império construído por Moscou.

Respeitado no Ocidente, o ex-mandatário foi particularmente elogiado por sua decisão de não usar a força no momento dos acontecimentos que levaram ao colapso dos regimes comunistas da Europa Oriental no final de 1980.

O ex-líder soviético criticou, contudo, os Estados Unidos por "abusar" da sua posição de poder e ter estendido sua influência na Europa e no mundo após a Guerra Fria.

"Os americanos devem entender que os dias de monopólio acabaram", disse, observando contudo que "eles serão os líderes por muito tempo, são muito influentes, é um fato, quer queiramos ou não".

Com isso, elogiou os esforços do presidente americano Barack Obama para reconstruir a imagem de seu país após oito anos de George W. Bush, considerando que o novo mandatário da Casa Branca segue uma política de Perestroika, semelhante à dele em 1980.

"Eu não invejo Obama, porque não acho que seja mais fácil realizar uma Perestroika na América do que na União Soviética", disse ele.

A Perestroika, literalmente reconstrução em russo, foi uma das políticas introduzidas na União Soviética por Gorbatchev, em 1985, que pretendia reestruturar a economia.

O ex-número um da URS, que ganhou o Nobel da Paz em 1990, também aprovou a concessão do prêmio a Obama em 2009, sustentando que irá incentivar os Estados Unidos a avançar em questões multilaterais.

Mikhail Gorbachev também pediu que americanos, russos e europeus trabalhem em conjunto para criar uma ordem mundial justa, num momento em que tensões entre russos e americanos reaparecem regularmente.

"Não deve haver qualquer muro. Devemos viver em paz nesta casa chamada Europa, com suas várias portas e janelas", disse ele.

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