Sex, 06 Nov, 09h48
TEGUCIGALPA, Honduras (AFP) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que denuncia o fracasso do diálogo com o governo de fato, rejeitou nesta sexta-feira voltar à mesa de negociações para superar a crise política no país.
"Eles não querem cumprir os acordos", disse Zelaya na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado desde que voltou a Honduras, no dia 21 de setembro.
Em declarações à Rádio Globo local, Zelaya destacou que "não tem mais compromisso com o diálogo" com o presidente de fato, Roberto Micheletti.
Zelaya convocou os membros da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, deflagrado em 28 de junho passado, para protestar de "forma pacífica", como já ocorria nas ruas de Tegucigalpa.
"Nossa luta é pacífica, fracassou o acordo por falta de cumprimento por parte de Micheletti", disse Zelaya.
O governo de fato pretende que as eleições programadas para o dia 29 de novembro acabem com a crise, mas Zelaya advertiu que sem sua restituição isto não vai ocorrer.
"Não quero eleições tipo Afeganistão para o meu país. Estão reprimindo o povo (...) e não há liberdade de pensamento".
"Não estou disposto a legitimar uma fraude, a legitimar uma imposição e a legalizar este golpe de Estado".
O departamento americano de Estado se declarou "decepcionado" com o fracasso do diálogo e pediu as duas partes que voltem à mesa de negociações.
"Pedimos às partes que ajam no maior interesse do povo hondurenho e voltem, imediatamente, à mesa (de negociações) para alcançar o acordo para a formação de um governo de unidade", disse o porta-voz do departamento de Estado Ian Kelly.
"Estamos decepcionados com as duas partes por não seguirem o caminho estabelecido", destacou Kelly.
O porta-voz não esclareceu a posição exata de Washington sobre o reconhecimento das eleições de 29 de novembro, após as declarações da véspera do senador republicano Jim DeMint, que disse ter recebido "garantias" da secretária de Estado, Hillary Clinton, sobre o reconhecimento da votação em Honduras, mesmo sem a restituição de Zelaya.
Segundo DeMint, Clinton e o subsecretário para América Latina, Thomas Shannon, lhe garantiram que os Estados Unidos reconhecerão o resultado das eleições hondurenhas, "com ou sem Manuel Zelaya" na presidência.
Kelly evitou comentar a declaração e disse que "nosso enfoque está na aplicação do acordo". Até 29 de novembro "há muito tempo".
Micheletti propôs "um governo decidido unilateralmente (...) e isto não é um governo de unidade". "Precisam sentar e conversar. Devem deixar de fazer declarações extremas sobre a 'morte' do acordo", concluiu Kelly.
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