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Irã quer fornecer novos detalhes sobre resposta à AIEA

Sex, 06 Nov, 06h35

TEERÃ (AFP) - O Irã deseja entregar à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) detalhes adicionais sobre seu programa de combustível nuclear, disse nesta sexta-feira o chanceler Manouchehr Mottaki.

"Temos propostas e detalhes para acrescentar ao que já foi anunciado (à AIEA)", disse Mottaki, citado pela televisão estatal iraniana.

"Temos três opções: um enriquecimento de 20% e produzir o combustível no Irã, comprá-lo no exterior ou trocar o urânio enriquecido a 3,5% para obter combustível enriquecido a 20%", acrescentou.

As potências estrangeiras "devem escolher entre as diferentes opções (...) e a minha opinião é que eles participem de uma nova rodada de negociações", disse o chefe da diplomacia iraniana.

"A República Islâmica do Irã considera tudo e esta proposição (o intercâmbio) também foi analisada", disse.

Segundo um relatório confidencial citado nesta sexta-feira pelo jornal britânico The Guardian, a AIEA pediu ao Irã explicações sobre supostas experiências com um novo tipo de ogiva nuclear.

De acordo com os documentos citados pelo jornal, os cientistas iranianos teriam testado ogivas de "dupla implosão", uma tecnologia avançada e classificada como segredo de defesa nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.

O domínio desta sofisticada tecnologia permitiria aos iranianos produzir ogivas menores e mais fáceis de fabricação que os modelos clássicos.

Esta evolução inesperada pelas potências ocidentais torna mais urgente encontrar uma solução para a crise diplomática causada pelo programa nuclear iraniano, que Teerã assegura que tem apenas fins civis, enquanto que os ocidentais suspeitam de objetivos militares.

Os elementos sobre estes experimentos iranianso estão incluídos no informe da AIEA intitulado "Possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irã" e leaborado em parte a partir de informes dos serviços secretos ocidentais.

Um assessor governamental europeu considerou impressionante que o Irã possa estar testando este tipo de material.

Para James Acton, um especialista britânico em armas nucleares do Carnegie Endowment for International Peace, "começar com designs mais sofisticados fala de um nível de ambição técnica surpreendente".

A AIEA propôs em 21 de outubro ao Irã um acordo segundo o qual este país entregaria parte de seu urâno pobremente enriquecido para transformá-lo no estrangeiro em combustível nuclear destinado a seu reator de pesquisa de Teerã.

Os outros três negociadores (EUA, Rússia, França) para este projeto já o aceitaram. Contudo, Teerã ainda não se manifestou, propondo novas conversações sobre a questão.

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