Qui, 19 Nov, 05h09
NOVA ORLEANS, EUA (AFP) - O juiz federal americano Stanwood Duval responsabilizou os engenheiros do Exército dos Estados Unidos pela ruptura de represas, que teriam provocado as mortíferas inundações em Nova Orleans (Louisiana, sul dos EUA) após a passagem do furacão Katrina.
"A indiferença do batalhão (de engenharia) e sua incapacidade em cumprir suas missões causaram perdas catastróficas de vidas humanas e de bens materiais, em proporções sem precedentes", escreveu o magistrado Stanwood Duval na sentença de 189 páginas publicada na noite de quarta-feira.
"Em 1988, o batalhão admitiu que o canal MRGO (Mississippi Gulf-River Outlet) ameaçava vidas humanas. No entanto, nada fez para impedir o desastre que se seguiu à passagem do furacão Katrina", acrescentou.
"Foi comprovado pela justiça que a cidade de Nova Orleans não ficou submersa após uma catástrofe natural, mas foi inundada por causa de falhas humanas que poderiam ter sido evitadas. O governo sempre teve a obrigação moral de reconstruir Nova Orleans. Agora, esta decisão transforma esta obrigação em responsabilidade legal", afirmou o MRGO Litigation Group, que defende o grupo que entrou com uma queixa.
Segundo o New Orleans Times Picayune, a soma de 720.000 dólares concedida a três proprietários lesados e a uma empresa vai desembocar em cerca de 100.000 novas queixas na justiça, que podem custar bilhões de dólares ao governo. O governo deve recorrer da decisão.
Em 29 de agosto de 2005, o furacão Katrina destruiu os frágeis diques que cercavam a cidade de Nova Orleans, provocando inundações devastadoras que fizeram quase 1.500 mortos.
"A negligência do batalhão de engenharia provocou o desperdício de milhões de dólares investidos em medidas de proteção contra as inundações e de bilhões de dólares de verbas aprovadas pelo Congresso para ajudar esta região devastada", finalizou o juiz Duval.
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