AF447: investigadores, Air France e Airbus criticam relatório do sindicato

Seg, 05 Out, 02h58

PARIS, França (AFP) - O Bureau de Investigação e Análises (BEA, na siglas em francês), organismo encarregado das investigações técnicas do acidente do A330 da Air France que caiu no Atlântico dia 1º de junho com 228 pessoas a bordo, criticou as conclusões do relatório do sindicato dos pilotos.

Segundo o BEA e as duas empresas, o construtor aeronáutico europeu Airbus e a companhia aérea francesa Air France, "é muito cedo para poder explicar as circunstâncias do acidente".

Segundo este documento do Sindicato de Pilotos da Air France (SPAF, minoritário), antecipado domingo pelo jornal francês Journal du Dimanche, o acidente pode ter sido o resultado de um "fracasso coletivo" por não consideração das falhas dos sensores Pitot que medem a velocidade da aeronave.

O BEA afirma em um comunicado que os elementos disponíveis estão sendo estudados pelos melhores especialistas franceses e estrangeiros. A investigação avança, mas é particularmente difícil.

Este organismo recomendou maior prudência e considerou que é muito cedo para descrever as circunstâncias do acidente e tentar explicá-lo. O relatório das análises deve ser publicado no fim de 2009.

A Air France disse que considera as hipóteses manifestadas por um responsável do pessoal de navegação técnico e por um piloto aposentado de outra companhia. Ele disse que está "cooperando" com a BEA e a gendarmeria.

A Airbus considerou "especulativas" as declarações dos pilotos "feiras antes da divulgação de resultados sérios".

No relatório que será apresentado esta semana à justiça, o SPAF, que é demandante civil no julgamento, afirmou que, sem uma falha das sondas Pitot o acidente não teria ocorrido, em 1º de junho no voo AF447 que fazia o trajeto Rio-Paris.

Estas sondas, que forneceram medições incoerentes sobre a aeronave, permitem aos pilotos controlar a velocidade do avião, um fator decisivo para seu equilíbrio em voo.

Ao dizer que o acidente "poderia ter sido evitado", o SPAF colocou em questão em diversos níveis a todos os organismos e empresas que não levaram em consideração o problema dos sensores.

Até agora, o BEA afirmou que a decisão destes sensores é um elemento, mas não foi a causa do acidente.