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África do Sul festeja Mandela em aniversário de 90 anos

Sex, 18 Jul, 11h52

Por Barry Moody

JOHANESBURGO (Reuters) - A África do Sul celebrou na sexta-feira o aniversário de 90 anos de Nelson Mandela, um símbolo da reconciliação nacional em um país hoje assolado por dúvidas e por um sentimento de nostalgia em relação à Presidência dele.

Jornais publicaram suplementos especiais e preencheram várias páginas com homenagens vindas de todos os cantos para um homem considerado o pai da atual África do Sul. Estações de rádio divulgaram tributos ao longo de todo o dia.

"Ele nos deu a liberdade. Se não fosse por ele, não estaríamos onde estamos hoje. Por causa dele, eu hoje posso caminhar livremente pelas ruas. Posso frequentar qualquer escola que deseje e encontrar um emprego sozinha", afirmou à Reuters, estudante Barbara Phofo, de 20 anos, em Joanesburgo.

Em um sinal do quão profundamente Mandela é respeitado por todas as raças, o jornal Beeld, publicado em africâner (a língua usada pelos brancos cujo governo ele devotou a vida para derrubar), reservou 12 páginas de homenagens e histórias a respeito do ex-presidente.

Depois de seis meses de celebrações internacionais, Mandela passou o dia de seu aniversário com a família e os amigos na região onde nasceu, Qunu, no Cabo Oriental.

Ele pediu que os ricos da maior economia da África dividam suas riquezas com as legiões de pobres que, passados 14 anos do fim do apartheid, continuam enfrentando grandes dificuldades.

"Há muitas pessoas na África do Sul que são ricas e que podem compartilhar suas riquezas com os que não foram tão agraciados, com os que não conseguiram livrar-se da pobreza", afirmou Mandela, usando uma de suas tradicionais camisas estampadas.

"A pobreza cravou as garras em nosso povo. Se você for pobre, você provavelmente terá uma vida curta", afirmou, sentado ao lado de sua terceira mulher, Graça, viúva de Samora Machel, presidente de Moçambique. Os dois casaram-se no aniversário de 80 anos dele, dez anos atrás.

Vários dos netos de Mandela cercaram a cadeira dele para desejar-lhe feliz aniversário e beijá-lo. O ex-presidente sul-africano afirmou que queria ter tido mais tempo para ficar ao lado de sua família durante sua luta contra o apartheid, que inclui 27 anos de encarceramento. "Mas eu não me arrependo de nada", disse.

ESPERANÇAS FRUSTRADAS

Depois do período de euforia alimentado pela posse de Mandela como presidente, em 1994, e pelos esforços bem-sucedidos dele para manter o país unido, evitando uma guerra civil, muitos começaram a sentir que as promessas simbolizadas por aquele homem haviam sido esquecidas.

O amor e o respeito por Mandela, de toda forma, apenas aumentaram na década que se seguiu ao afastamento dele do poder, em 1999, depois de cumprir um único mandato presidencial.

Sincero e determinado, Mandela passou então a fazer campanhas para enfrentar vários problemas, da repressão política à Aids.

Muitas dos textos de homenagem lamentaram o final do governo dele e manifestaram a esperança de que o ex-dirigente continue a ser uma figura inspiradora por muitos anos mais.

"Meu desejo é que você tenha ainda muitos anos de boa saúde e que continuemos a nos beneficiar de sua sabedoria e de seu exemplo", disse Ahmed Kathrada, membro do CNA que ficou preso junto com Mandela na penitenciária da ilha Robben.

O sucessor de Mandela, Thabo Mbeki, viu-se duramente criticado por não ter conseguido enfrentar os vários problemas do país, entre os quais o abismo que separa os ricos e os brancos na África do Sul, uma crise de falta energia que ameaça prejudicar o crescimento econômico, uma das maiores taxas de criminalidade do mundo e os efeitos do colapso do vizinho Zimbábue.

Desmond Tuto, outra figura central da luta contra o apartheid e, como Mandela, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, afirmou: "Temos sido muito abençoados. Ele se transformou no estadista mais admirado do mundo, um ícone do perdão e da reconciliação, um colosso moral."

E François Pienaar, capitão branco da seleção sul-africana de rúgbi que venceu o campeonato mundial em 1995, escreveu: "Obrigado pela inspiração que você representa para a nação".

Em um gesto eloquente de reconciliação com a parcela branca da população sul-africana, Mandela entrou em campo ao término da partida final daquele campeonato usando uma camiseta e um boné do time.

(Reportagem adicional de Phakamisa Ndzamela)

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