Dom, 20 Jul, 12h16
Por Jon Hemming
CABUL (Reuters) - O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, se encontrou neste domingo com o presidente afegão, Hamid Karzai, em seu segundo dia de visita ao Afeganistão, realizada com o objetivo de demonstrar a competência de Obama em política externa.
Obama já fez críticas anteriormente a Karzai, que preside o Afeganistão desde que forças afegãs e tropas lideradas pelos EUA derrubaram do poder o grupo radical islâmico Talibã, em 2001, mas nesta visita o democrata disse que seu objetivo é ouvir e não levar mensagens duras.
Imagens de TV mostraram um Obama relaxado conversando com Karzai, tendo ao lado seus colegas de Senado Chuck Hagel e Jack Reed e ministros afegãos no palácio presidencial de Cabul, que tem um forte esquema de segurança. Obama é senador pelo Estado do Illinois.
"Na reunião as duas partes falaram sobre a situação no Afeganistão e em toda a região, a campanha mundial contra o terrorismo e o narcotráfico e também sobre uma maior expansão das relações entre os EUA e o Afeganistão", informou o palácio presidencial afegão em um comunicado.
Obama também vai visitar o Iraque, Jordânia, Israel, Alemanha, França e Grã-Bretanha em um giro internacional que, ele espera, possa ser uma resposta às críticas dos republicanos de que não tem experiência para ser o comandante-chefe das Forças Armadas.
Na semana passada, Obama criticou Karzai em uma entrevista à CNN. "Acho que o governo de Karzai não saiu do bunker para ajudar a organizar o Afeganistão e o governo, o Judiciário e as forças policiais, de um modo que transmitisse confiança ao povo. Por isso há uma porção de problemas lá", disse então Obama à TV.
Karzai já foi o queridinho do Ocidente, mas agora enfrenta críticas crescentes em casa e no exterior por não adotar medidas duras para coibir a corrupção desenfreada e combater antigos senhores de guerra e a produção de drogas em níveis recordes --fatores que alimentam a insurgência do Talibã, que está crescendo.
Mas ao ser indagado, antes da viagem, se usaria palavras duras com Karzai e com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, Obama respondeu: "Estou mais interessado em ouvir do que falar."
"E acho que é muito importante reconhecer que estou indo lá como senador dos EUA. Temos um presidente por vez, portanto é tarefa do presidente enviar tais mensagens", disse Obama.
(Reportagem adicional de Sayed Salahuddin)
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