Seg, 06 Out, 01h09
Por Natuza Nery
BRASÍLIA (Reuters) - Uma ponta de dor de cabeça para o governo no segundo turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de gerenciar disputas entre os partidos da sua base de sustentação em oito capitais do país.
Lula verá a coalizão de 11 partidos dividida em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rido de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Macapá, Manaus e Belém.
Interlocutores aconselharam o presidente a não colocar os pés em palanques onde houver guerra entre aliados. O objetivo é preservar as relações institucionais e garantir certa tranquilidade política nos dois anos finais deste segundo mandato.
"Quando o governo se defronta com uma situação Kramer versus Kramer, o melhor a fazer é a neutralidade", disse à Reuters Carlos Lopes, analista político da Santafé Idéias.
Salvador é o principal desafio ao Palácio do Planalto. Lá, o PT do candidato Walter Pinheiro concorre com o PMDB de João Henrique, que tenta a reeleição. O prefeito tem o apoio formal do ministro da Integração Nacional, o peemedebista Geddel Vieira Lima.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) disputa com Fernando Gabeira (PV), que é de um partido da base, embora o candidato seja, efetivamente, de oposição. Além disso, na coligação de Gabeira estão os oposicionistas PSDB e PPS. Mas o PV não gostaria de ver Lula prejudicando o seu candidato.
Em Belo Horizonte, o confronto é entre Márcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB). Nesse caso, também, a situação é atípica. Lacerda tem o apoio formal do PT e o respaldo explícito do governador Aécio Neves (PSDB).
Em Porto Alegre, Maria do Rosário (PT) tenta derrubar a liderança do prefeito José Fogaça (PMDB). Já em Florianópolis, Dário Elias Berger (PMDB) tenta derrotar Esperidião Amin (PP).
Em Macapá, Camilo Capiberibe (PSB) disputa o segundo turno com Roberto Góes (PDT). Em Manaus, Amazonino Mendes (PTB) enfrenta Serafim Corrêa (PSB). Em Belém, com a apuração ainda não concluída, os números indicavam que Duciomar Costa (PTB) disputaria segundo turno com José Priante (PMDB) ou Mário Cardoso (PT).
Uma queda-de-braço na coalizão governista já é esperada para depois da eleição. O objetivo dos aliados será conquistar munição política para apitar no jogo eleitoral de 2010.
(Edição de Alexandre Caverni)
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