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Bush leva agenda de reforma financeira a fórum da Apec

Sex, 21 Nov, 05h48

Por David Alexander

A BORDO DO AIR FORCE ONE (Reuters) - George W. Bush inicia na sexta-feira sua última viagem oficial ao exterior como presidente dos EUA para participar da cúpula Ásia-Pacífico no Peru, onde pedirá apoio para uma reforma financeira global e discutirá formas de restringir o programa nuclear norte-coreano.

Especialistas dizem que a cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em Lima, dificilmente produzirá avanços importantes. Mas autoridades dos Estados Unidos rejeitaram a idéia de que o encontro será o canto do cisne para um presidente sem influência e com baixa popularidade.

"Trata-se de uma reunião séria", disse Daniel Price, consultor de Bush para assuntos econômicos internacionais, lembrando que a tradicional ênfase do presidente na questão do livre-comércio tem muito a ver com a missão central da Apec.

"Não acho que seja uma despedida ... e sim uma oportunidade para que o presidente leve adiante sua agenda afirmativa."

Especialistas dizem, porém, que a participação de Bush estará ofuscada pelo fato de que em janeiro ele transfere o poder ao democrata Barack Obama.

"O presidente, eu acho, não irá pressionar sua própria agenda ou a agenda de seu governo com o caminhão de mudança chegando à porta da Casa Branca", disse Charles Freeman, um ex-assistente de representante do Comércio dos EUA para questões sobre a China.

A reunião dos 21 países da Apec, que representam quase a metade do movimento comercial mundial, "é um encontro importante neste momento, principalmente pela situação financeira mundial", disse Bush em uma entrevista à América TV, do Peru.

Ele negou que a América Latina tenha deixado de ser uma prioridade para seu governo depois dos ataques de 11 de setembro.

Acordos de livre-comércio com países da região e programas focando a saúde e a educação mostraram o comprometimento com a América Latina, disse Bush. "O histórico mostra nosso profundo desejo de boa vizinhança, e de manter amigos."

CORÉIA DO NORTE

Bush também tentará aproveitar a reunião para manter encontros bilaterais sobre a questão nuclear norte-coreana, segundo Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.

Na sexta-feira, Bush deve discutir a Coréia do Norte e outros assuntos com o primeiro-ministro chinês, Hu Jintao. No sábado, deve conversar com os líderes de Japão e Coréia do Sul.

Dennis Wilder, diretor sênior para assuntos asiáticos no Conselho Nacional de segurança da Casa Branca, disse esperar que até o fim da conferência da Apec uma reunião para conversas sobre Coréia do Norte possa ser marcada como um objetivo para dezembro.

A China tem organizado as negociações que também incluem Japão, Rússia, Coréia do Sul, Coréia do Norte e Estados Unidos.

"Nosso objetivo primário é voltar à mesa de negociações em Pequim", disse Wilder a jornalistas viajando com Bush rumo ao Peru, a bordo do avião presidencial Air Force One.

"Precisamos colocar em vigência os princípios de verificação que combinamos extensivamente com os norte-coreanos. Precisamos que isso seja memorizado e codificado em um acordo entre as seis partes", disse.

A Coréia do Norte havia aceitado desmantelar sua usina nuclear de Yongbyon em troca de incentivos políticos e econômicos, mas neste ano o regime comunista local passou a retardar tal desativação, alegando demora nas contrapartidas.

Bush também deve aproveitar a cúpula de Lima para encontrar o presidente russo, Dmitry Medvedev. Washington e Moscou vivem uma fase de atritos devido à recente guerra entre Rússia e Geórgia e à intenção dos EUA de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu. Ambos os temas devem ser discutidos no encontro, segundo Johndroe.

Um dos principais objetivos de Bush na cúpula da Apec é ampliar o compromisso global com as reformas e princípios financeiros delineados na cúpula do G20 (grupo de países desenvolvidos e emergentes), na semana passada, em Washington.

Naquele encontro, os governos defenderam que os países mantenham a abertura de mercados e resistam ao protecionismo como forma de resistir à crise, já que isso pode na verdade exacerbá-la.

(Reportagem adicional de Doug Palmer)

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