Qua, 15 Abr, 03h35
Por Isabel Versiani
BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira que o país já superou a pior fase da crise e que a expectativa é que a economia feche o ano em ritmo "acelerado", com crescimento de 3 a 4 por cento no quarto trimestre.
Mas Mantega acrescentou que o governo ainda prepara novas desonerações tributárias para estimular a produção e destacou preocupações com setores específicos, como o de carnes e têxtil.
"Em março e abril a economia (brasileira) já apresentou sinais de recuperação. Acredito que o pior já passou aqui no Brasil, a fase mais aguda foi deixada para trás", disse o ministro durante audiência pública promovida por várias comissões da Câmara dos Deputados para discutir a crise global.
Para Mantega, globalmente a crise já dá sinais de abrandamento e pode ser mais curta do que o inicialmente previsto, com as grandes economias crescendo já a partir de 2010. "Talvez tenhamos chegado ao fundo do poço", afirmou.
Apesar do tom otimista, Mantega reconheceu que os setores exportadores brasileiros ainda sofrem o impacto da retração mundial de demanda e de crédito.
"A gente tem que fazer ações setoriais para resolver os problemas", afirmou Mantega, sem dar detalhes, após destacar os setores de carnes, café e têxtil como alguns dos prejudicados.
Mais tarde, ao responder a indagações de parlamentares, Mantega afirmou que o governo promoverá novos cortes de impostos. Ele também anunciou a futura criação de um fundo de garantir crédito para pequenas e médias empresas.
"Temos feito desonerações e continuaremos a fazê-las, especialmente para aqueles setores que têm efeito mais rápido", disse Mantega.
"Temos que continuar a tomar medidas que barateiem o custo da produção", acrescentou. Ele frisou que medidas de desoneração da folha permanecem na pauta do governo após terem sido adiadas com a derrubada da prorrogação da CPMF pelo Congresso no final de 2007.
Quanto ao superávit primário, o ministro foi evasivo.
"Por enquanto não temos intenção de mexer no superávit primário, mas isso não é nenhum tabu", disse.
"O compromisso do governo é garantir todos os investimentos em curso, públicos e privados, em vista disso, vamos tentar fazer o maior superávit possível, respeitando esse esforço anticíclico", acrescentou.
Mas uma fonte do governo disse à Reuters, sob a condição de anonimato, que o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que será enviado ao Congresso nesta quarta-feira mostrará uma meta de 3,3 por cento do PIB para a meta de superávit de 2010, ante os atuais 3,8 por cento.
(Reportagem adicional de Fernando Exman)
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