RIO - Não há, ainda, qualquer referência a Blue Daisy na Wikipédia. Qualquer busca com esse nome (artístico) vai cair na definição clássica de sua tradução literal, "margarida azul", uma planta de crescimento rápido, que surge durante o verão e tem o miolo amarelo. Mas não há nada de florido, colorido ou ensolarado no som do músico e produtor inglês, batizado Kwesi Darko. Seu disco de estreia, "The Sunday gift", lançado no fim do ano passado pelo selo independente Black Acre, é sombrio, enevoado e enigmático, como se fosse uma trilha sonora alternativa para o saudoso seriado "Arquivo X".
As 12 faixas do disco - adornado por vozes como a de Heidi Vogel, do Cinematic Orchestra, e do rapper Hey!Zeus - fazem despertar lembranças do trip hop, o soturno gênero musical que virtualmente assombrou a Inglaterra nos anos 1990, pelas mãos frias de nomes como Tricky, Massive Attack e Portishead.
- Não é coincidência. Gosto mesmo de criar atmosferas sombrias, e o trip hop sempre foi uma inspiração, principalmente Tricky - conta, por telefone, Blue Daisy, 24 anos, nascido e criado no sul de Londres.
Apesar de flertar com estilos como o hip hop e o dubstep - seu começo foi como MC -, Blue Daisy não mira as pistas de dança. De fato, seu som lento, hipnótico, widescreen, repleto de texturas e detalhes funciona melhor em fones de ouvido do que em grandes e potentes caixas.
- Não é desprezo pelas pistas, mas hoje quase não saio. Sou meio um ermitão urbano. Se pudesse, botaria um adesivo na capa do meu disco, pedindo que ele fosse ouvido através de bons fones, porque é um trabalho realmente de detalhes - diz ele. - Além do mais, música de pista é algo finito, que vem e vai com a tendência do momento. Sem querer parecer pretensioso, gosto de imaginar que fiz um disco atemporal, que vai poder ser curtido daqui a cinco anos, sem maiores perdas.


1 comentário