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    Vídeos de campanha viram armas de republicanos para atacar rivais

    Miriam Burgués.

    Washington, 27 jan (EFE).- Os contrastes e contradições dos pré-candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos são uma arma crucial para os vídeos das campanhas, em uma batalha paralela para ganhar eleitores e desqualificar os rivais.

    O uso de vídeos políticos surgiu na década de 1950, mas só a partir de 2008 se tornou popular, especialmente com a difusão na internet.

    Trata-se de parodiar o oponente, de expor suas incoerências e de reduzi-lo a uma caricatura do presidente Barack Obama, o "inimigo" a ser batido no dia 6 de novembro.

    Essa é a estratégia mais utilizada pelo ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, que até antes das primárias da Carolina do Sul - onde ficou em segundo lugar, atrás de Newt Gingrich - avançava comodamente rumo à nomeação do partido graças aos bons resultados em Iowa e New Hampshire.

    Os demais pré-candidatos "estão envergonhando a si mesmos seguindo as linhas de Obama", afirma um dos últimos vídeos lançados pela campanha de Romney.

    "Por que votar em alguém que é como Obama?", pergunta um vídeo do ex-senador pela Pensilvânia, Rick Santorum, referindo-se ao ex-governador.

    Santorum é contra a reforma sanitária aprovada quando Romney governava em Massachusetts e a compara à promulgada por Obama em 2010 e rejeitada pela maioria dos republicanos.

    O ex-senador, que como o resto dos rivais republicanos promete reduzir o gasto fiscal para combater o déficit, também diz no vídeo que, tal como Obama, Romney apoiou o "resgate" de Wall Street.

    Porém, a estratégia dos vídeos também é usada contra Santorum. O legislador texano Ron Paul, de ideologia libertária e partidário de reduzir a ingerência e despesa do Governo, acusa Santorum de "hipócrita em série" e de ter um "recorde de traição" no Congresso, onde, quando era senador, "votou cinco vezes a favor da elevação do teto da dívida".

    As votações de Santorum também são assunto nos vídeos de campanha do governador do Texas, Rick Perry, que abandonou a disputa na última quinta-feira.

    Perry relembra que Santorum votou em 2005 "para gastar milhões em uma ponte que leva a lugar nenhum para ajudar 50 pessoas", apoiou a criação de "um museu para as chaleiras na Carolina do Norte", e uma medida para investir "US$ 597 mil para fundar um instituto sobre ovelhas em Montana".

    Enquanto isso, a campanha de Gingrich, ex-presidente da Câmara de Representantes (1995-1999) e que se apresenta como principal adversário de Romney, concentra seus ataques contra este destacando repetitivamente sua suposta "moderação".

    Em um de seus vídeos, a campanha de Gingrich acusa Romney de ser "pró-aborto" e de ampliar o acesso às pílulas abortivas quando governava Massachusetts.

    Em resposta, Romney recorre a ex-legisladores que trabalharam com Gingrich quando era presidente da Câmara para tachá-lo como um "líder indisciplinado, pouco confiável e polêmico".

    Apesar da inundação de vídeos nas campanhas, nesta disputa ganharam protagonismo os elaborados pelos chamados "Super PACs" (Comitês de Ação Política), grupos que podem receber e gastar fundos sem limites para impulsionar a vitória ou derrota de um candidato federal.

    Alguns deles divulgaram vídeos contra Romney, ao descrevê-lo como um "depredador", quando este dirigia a firma privada Bain Capital, e contra Gingrich, relembrando suas infidelidades matrimoniais.

    Os grupos que respaldam Gingrich e Romney gastaram cerca de US$ 6 milhões cada um em anúncios de televisão e rádio na Carolina do Sul e na Flórida, próxima parada no calendário eleitoral. EFE

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