À base de calmantes, multicampeã Rosa Magalhães, carnavalesca da Imperatriz, celebra emoção no retorno à Sapucaí

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Ansiedade, emoção e choro marcam a concentração da Imperatriz Leopoldinense, escola responsável por abrir a noite neste retorno à Marquês de Sapucaí. O sentimento à flor da pele não poupou nem mesmo aqueles mais experientes na Avenida. Carnavalesca mais velha de toda a Série Especial, a multicampeã Rosa Magalhães, que hoje volta à agremiação de Ramos, admitiu que está a base de calmantes.

— É uma emoção e uma celebração muito grandes. Uma homenagem a pessoas tão importantes para a história da escola — afirmou Magalhães, de 75 anos, que desfilará no último carro, que trará imagens do ex-carnavalesco Arlindo Rodrigues e do ex-presidente Luizinho Drummond, homenageados no enredo "Meninos eu vivi... Onde canta o sabiá, Onde cantam Dalva & Lamartine”, além de fotos do ex-carnavalesco Joãosinho Trinta.

Aos 75 anos, Rosa vai quebrar uma tradição pela qual era publicamente conhecida: o hábito de desfilar escondida. Discreta, ela havia se transformado numa aguardada surpresa dos próprios desfiles, já que há sete anos, pelo menos, vinha cruzando a Avenida sempre a bordo de seu carro alegórico preferido nas agremiações em que estava trabalhando. Optava, no entanto, pelas chamadas fantasias "de composição", escaladas para as laterais e andares mais baixos das estruturas, sem qualquer tipo de destaque.

— Eu ainda prefiro vir escondidinha, mas me disseram que era melhor vir aqui e eu vim — brincou a "professora", que pode acompanhar a entrada de todas as suas criações na pista enquanto a alegoria estava estacionada na concentração.

Na brincadeira de se transformar em personagens de sua própria criação, Rosa esteve, em 2015, num carro da São Clemente que retratava um grande baile com motivos africanos no Theatro Municipal do Rio. O destaque era Zeni Pamplona, viúva do carnavalesco Fernando Pamplona, morto em 2013 e homenageado pela carnavalesca (e discípula) dois anos depois. Pamplona foi com quem Rosa começou a carreira no Carnaval, a exemplo do que também aconteceu com Rodrigues, agora homenageado pela antes colega de profissão e trabalho.

Na brincadeira ao melhor estilo "Onde está Wally?", Rosa também já esteve em meio a um grupo que representava refugiados holandeses que vieram ao Brasil e foram retratados no desfile que ela assinou pela Portela em 2018. De lá, ela migrou para a Estácio de Sá, há dois anos, e depois retornou para a Imperatriz. A escola do bairro de Ramos, na Zona Oeste da capital fluminense, tenta permanecer na elite das agremiações cariocas após ter passado a última temporada, de 2020, na Série Ouro (o antigo Grupo de Acesso).

Com a voz calma que disfarçava a ansiedade interna, como destacou, Rosa Magalhães foi bastante tietada por membros da diretoria e por passistas. Em um momento, ela foi abraçada por um integrante da escola que estava aos prantos e lhe agradeceu "por tudo".

— Hoje estou realizando um sonho de infância. A gente acha que já viu de tudo, mas o carnaval nos surpreende. Agente acha que já está imune a esse tipo de emoção, mas aindabem que não — afirmou.

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