À espera da reabertura: artista plástico Lair Uaracy tem mostra pronta para exibir no Centro Cultural Correios

Jacqueline Costa
1 / 2

Lair Uaracy_foto de divulgação.JPG

O artista trabalha no ateliê que montou em seu apartamento, em Ipanema: produção acelerada nos dias de isolamento

RIO - As figuras expressivas e vibrantes retratadas nas telas do artista plástico Lair Uaracy estão em compasso de espera, porém a postos. Cerca de 20 de suas obras integram a exposição “Realidade simulada”, que foi montada dias antes de a pandemia ser decretada e que deverá ser exibida assim que o Centro Cultural Correios reabrir. A mostra, que tem curadoria de Carlos Bertão e design expográfico de Alê Teixeira, apresenta alguns dos mais recentes trabalhos do artista, reunidos na Sala Proa. São retratos feitos com tinta acrílica sobre telas de diferentes formatos e dimensões, a partir de pinceladas espessas e marcantes.

Formado em Direito, Uaracy, que tem produzido intensamente durante a pandemia, conta que trabalhou como advogado até 2017. Para aliviar um pouco o estresse do dia a dia, seguiu os conselhos de uma amiga e começou a fazer cursos nas Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Lá, teve como professores João Magalhães e Bob N, que se tornaria seu mentor. Foi Bob quem primeiro indicou o artista para a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris, uma das mais prestigiadas do mundo. Na instituição francesa, Uaracy fez sua primeira residência fora do país, no ateliê de Jean Michel Alberola, apenas dois anos depois de iniciar seu caminho pelo mundo das artes e em sua primeira participação numa seleção concorrida e que incluiu talentos de todo o mundo.

— O intercâmbio parisiense durou seis meses, entre julho de 2019 e janeiro de 2020, período em que eu era o único brasileiro por lá. A passagem por Paris me levou a uma segunda residência internacional, dessa vez na Galeria Casa70 Lisboa, em Portugal. Outro fruto imediato foi ter sido escolhido para criar o rótulo de um vinho comemorativo, e produzido em edição limitadíssima exclusivamente para ser presenteado, da tradicional Quinta do Javali, que completa 300 anos em 2020.

Ele diz que suas vivências na Europa foram muito importantes para dar uma alavancada na carreira:

— Além de todo o aprendizado e das referências de História da Arte, que eu não tinha, já que sempre fui muito intuitivo, foi uma experiência que mudou minha cabeça. Fiquei impressionado ao ver como os artistas são reverenciados na França.

A curta e intensa trajetória deste morador de Ipanema, que nasceu em Belém, mas vive no Rio desde os 2 anos, inclui mostras individuais em galerias e a participação em diversas coletivas, como a tradicional Abre Alas, da A Gentil Carioca. Uaracy foi um dos participantes da mostra de 2019, com cinco trabalhos.

Pai e amigos como fontes de inspiração para as obras

O artista plástico Lair Uaracy carrega o mesmo nome de seu pai, uma das figuras mais recorrentes em seus trabalhos. Aliás, Uaracy conta que a maioria de suas obras tem traços de pessoas que fazem parte da sua vida.

— Meu pai foi uma figura muito importante para mim. Tivemos uma relação difícil em parte de nossas vidas, mas que foi refeita quando me formei advogado. Ele, que era militar e comandante de navio petroleiro, morreu em 2017, no mesmo ano em que resolvi largar o Direito e me dedicar exclusivamente às artes, uma paixão que cultivo desde menino.

Uaracy explica as imagens que aparecem em suas coloridas telas:

— Os meus quadros são meio estranhos porque crio retratos de personagens nada realistas. Eu me inspiro em pessoas conhecidas, mas também crio outros personagens, montando quase um Frankenstein. E o engraçado é que muita gente acaba se identificando de alguma forma.

Curador da exposição “Realidade simulada”, Carlos Bertão diz que ficou impressionado especialmente com a forma franca, sem ser pretensiosa, com que Uaracy retrata seus personagens.

— Conheci o Lair numa exposição coletiva na Úmida Galeria. Sua obra me chamou a atenção imediatamente. Meu lado colecionador logo disse: “Compra”. E o curador: “Expõe”. Fiz ambos. E o resultado é a exposição “Realidade simulada” — conta Bertão.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)

Nosso objetivo é criar um local seguro e atraente para os usuários se conectarem a interesses e paixões. Para melhorar a experiência de nossa comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários dos artigos.