À frente da gerência de comunicação do MAM, Erika Palomino quer ampliar diálogos com a sociedade

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Ainda eram seis e meia da manhã, quando Erika Palomino postou o seu primeiro Stories do dia, na quinta-feira retrasada: uma vista panorâmica da Praia de Copacabana. A mulher que já foi um dos nomes mais conhecidos e fervidos da noite paulistana tem dormido muito pouco desde que retornou — para ficar — ao Rio, sua cidade natal, de onde saiu aos 17 anos. Recém-anunciada como gerente de comunicação do MAM, ela tem pela frente o desafio de ampliar ainda mais o diálogo da instituição com a sociedade. “A vontade que temos é de sair fazendo tudo”, diz, sobre a ansiedade provocada pelo cargo oficializado há duas semanas.

Aos 53 anos, Erika volta ao solo carioca depois de se projetar como jornalista e agitadora cultural na capital paulista. No jornal Folha de São Paulo, assinou a coluna “Noite Ilustrada”, entre 1992 e 2005. Por lá, contava aos leitores as novidades da cena noturna, LGBTQI+ e da moda, numa linguagem mesclada com as gírias da época. O mesmo mix recheou seu livro “Babado forte”, uma espécie de Bíblia clubber do fim dos anos 1990.

Nos últimos anos, porém, Erika andava cada vez mais imersa na experiência curatorial. O pontapé veio com a “House of Palomino”, que uniu exposições de arte e produção de conteúdo, na primeira década dos anos 2000. Mais recentemente, esteve à frente do Centro Cultural São Paulo (CCSP), onde atuou desde 2019, até se candidatar ao posto no MAM. “Sempre me interesso pela energia do novo e vi que alguma coisa estava acontecendo aqui”, afirma. “É uma forma de gestão que me atrai, porque é muito contemporânea e moderna. E com valores que são comuns aos meus, que prezam por representatividade e diversidade.”

Ao anunciar a saída do CCSP, Erika ouviu de um colega a gaiata frase: “Como assim? Você e a Hebe são as coisas mais paulistas que já existiram”. A jornalista reconhece que, em algum momento, a informação de sua origem carioca “se perdeu” e admite que se sente um pouco turista em sua própria cidade, enquanto ainda procura um apartamento para morar. Por outro lado, alguns clichês locais já foram devidamente incorporados à agenda. “Estou acordando para ver o sol nascer e caminhar na praia. Hoje mesmo dei um mergulho antes de começar a trabalhar.”

Apesar dos poucos dias em sua nova função, ela dá algumas pistas do que está por vir, como o desenvolvimento de um podcast. Da conexão com a moda, pode-se esperar intervenções na loja do museu e até mesmo nos uniformes dos funcionários. Mas isso, por ora, não será o foco. “Atualmente, a minha relação é de quem acompanha (essa cena)”, resume Erika, que também trabalhou como consultora da Melissa por 15 anos. “O que vamos fazer é colocar o MAM na moda novamente.”

Para isso, ela tem pela frente o trabalho de entender as demandas e anseios de cada setor da instituição e, em seguida, encontrar as melhores formas de traduzi-las em estratégias de comunicação. Diretora de relações institucionais do museu, Lucimara Letelier lembra que, desde que a nova gestão assumiu, no ano passado, houve um aumento de 85% nos acessos ao site, além de uma presença mais incisiva nas redes sociais. “Mas não é suficiente. Queremos criar comunidades e fontes de diálogo”, diz. “E isso tem muito a ver com uma presença digital que a Erika vai trazer.”

Do alto de seus 73 anos, o MAM não quer pagar de “tiozão” no Insta.

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