À frente da Systemiq, Patricia Ellen tem missão de quadriplicar operação brasileira

A Ex-Secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Patricia Ellen Da Silva, acaba de anunciar sua chegada à Systemiq, consultoria internacional presente em países como Reino Unido, Holanda, Alemanha e Indonésia. Ela entra como uma das sócias – hoje já são 15 em diversos países – e CEO do Brasil, com a missão de quadriplicar o tamanho da operação local nos próximos dois anos.

O foco da companhia é trazer soluções que ajudem as empresas a resolver problemas sistêmicos complexos e entrar com os dois pés na economia de baixo carbono. O tripé sob o qual a empresa trabalha é na frente de justiça climática, justiça social e tecnologia.

“Depois do desafio da covid-19, o que passou a me tirar o sono foi a transição para a economia de baixo carbono. Eu percebi, nos últimos dois anos, a visão do mundo com relação do Brasil mudando e como o país estava perdendo oportunidades de ser protagonista nesta agenda”, conta ao Prática ESG.

Ela explica que estudos mostram que há uma janela de três a cinco anos para o mundo conseguir reverter o prejuízo de um aquecimento global acima de 1,5ºC. “Temos uma chance bem concreta de virar essa chave, mas janela está se fechando. Apesar de o Brasil estar virando um pária, visto como dividido e instável, é papel também do setor privado de liderar essa discussão”, diz. Para ela, nos últimos dois anos muitas companhias tomaram consciência da importância da transição climática e é para este público que a Systemiq se propõe a trabalhar.

“Nossa abordagem na consultoria é complexa e segue o princípio de que nenhuma organização consegue sozinha fazer a transição para o mercado de carbono. As empresas parceiras, clientes finais, a cadeia de valor, todos precisam ser transformados”, diz.

Por isso, continua, o trabalho da consultoria não é apenas fazer um diagnóstico e um plano de ação. A empresa se propõe a conectar o cliente com empresas de tecnologia, academia, organizações do terceiro setor, até mesmo investir em startups e apoiar a estruturação de instrumentos financeiros, como dívida corporativo, fundos e produtos no mercado de carbono.

Trabalha nas frentes de regeneração do solo e oceanos, proteção das florestas, energia de baixo carbono e materiais e economia circular. Em 2021, seu estudo "Breaking the Plastic Wave", que foi capa da revista Nature ao mapear que o fluxo de plástico no oceano deve quase triplicar até 2040. Um dos objetivos de Ellen inclusive é traduzir os aprendizados deste relatório para a economia circular no Brasil e mensurar o ponto de partida e a evolução das ações.

“A abordagem é sistêmica e vamos mapear o que precisa fazer para mudar a cadeia de plástico, faremos um grande ‘de’ – ‘para’”, comenta, citando que para resolver o problema do plástico é necessário, por exemplo, o envolvimento de empresas que o substituam pelo vidro ou alumínio, que incentivem refil e reciclem.

Para conectar as pontas, a Systemiq conta no Brasil com a AYA Initiative, organização que a própria Patricia Ellen fundou junto com o empresário Alex Allard, que visa justamente ser um hub de troca de informação, conteúdo, networking e promoção de parcerias e negócios em prol de um Brasil de baixo carbono. O ecossistema já conta com mais de mil empresas, instituições e ONGs que se associam no esquema de membership para participar de eventos e momento de troca. Isso é o que Ellen chama de coalização.

No Brasil desde 2018, a Systemiq tem clientes nos setores de agricultura, cosméticos, farmácia, carbono e projetos públicos como o Partnerships for Forests (P4F), programa do Reino Unido do qual a Systemiq é co-gerenciadora na América Latina e funciona como uma incubadora e aceleradora global que desenvolve negócios que protegem florestas ou oferecem melhor gestão do uso da terra. A P4F está investindo 17 milhões de libras (cerca de R$ 100 milhões) no Brasil, Colômbia e Peru.

Habilidades

A empresa tem hoje 20 pessoas e há um plano robusto para atração de mais talentos. A palavra de ordem é diversidade, o que, segundo Ellen, é necessário para enfrentar os desafios da nova economia e caminhar para uma sociedade com justiça social. Para isso, a Systemiq não quer esperar passivamente que pessoas se candidatem, mas sim ir atrás de quem querem atrair.

No fim de julho, por exemplo Ellen e a equipe vão participar do 9º Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas, que vai acontecer em Campinas, no campus da Unicamp. A Systemiq é uma das patrocinadoras e a nova CEO está ativamente chamando empresas que conhece para se juntarem. “Todo mundo reconhecer que a abordagem sistema é complexa é o primeiro passo. Para nos ajudar, buscamos profissionais bons em abordagens de problemas sistêmico e equipes diversas. Ao invés de esperar as pessoas virem, podemos ir até elas”, diz. A empresa lançará um concurso de caso com problemas relacionados a Amazônia para os presentes e espera sair com currículos de lá.

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