À frente de dez casas, Pedro de Artagão fala sobre rotina entre a botecagem e a alta gastronomia

São dez casas — and counting. O chef e empresário Pedro de Artagão, de 44 anos, ficou famoso no Irajá, seu primeiro restaurante, aberto em 2011 em Botafogo e que hoje está no Leblon. Passou dez anos focado na alta gastronomia (abriu ainda o Formidable, em 2014, e a Cozinha Artagão, em 2015) até colocar os pés na areia e abrir o Azur, em 2017. Dois anos depois, veio o Irajá Redux, uma versão descontraída de sua casa principal. Mas foi há dois anos que o movimento para endereços com menos pompa ficou ainda mais claro, quando inaugurou os pés-limpos Rainha e Princesa. Agora, junta-se ao grupo a casa ítalo-americana Bastarda, que acaba de ser inaugurada no Rio Design Leblon. “Devo tudo à alta gastronomia, onde comecei. No entanto, ela é restritiva, com preços mais altos, equipes menores e gera uma quantidade pequena de empregos. Resolvi democratizar o que aprendi em fine dining em casas mais populares”, conta Artagão. “Tive que negociar com a minha vaidade de chef de cozinha, para fazer essa mudança.”

O chef Alberto Landgraf, do Oteque, é um fã. “O Pedro é um chef muito versátil e faz tudo com capricho. O Irajá foi uma grande referência do que eu queria fazer no Oteque. Uma das melhores degustações que já experimentei servida em um ambiente descontraído foi algo que admirei. Aprendi a levar o clima carioca para o restaurante com ele”, recorda.

O Rainha (que também ganhou filial em São Paulo) e o Princesa estão sempre cheios. Os pratos, inspirados em casas tradicionais do Rio, como Penafiel e Alvaro’s, são a cara do carioca. “No Rainha foquei nos frutos do mar. Já no Princesa foi uma coisa mais nostálgica, com filé à Piemontesa, caldinho de feijão, bife à Oswaldo Aranha. Quero que ele seja para as novas gerações o que o La Mole foi para mim”, define.

A Bastarda veio de uma brincadeira de pandemia que deu certo. Tanto que saiu da dark kitchen e ganhou salão e menu que vai muito além das pizzas. “Ampliei para tudo que faz parte dessa releitura americana da cozinha italiana. Tem bife à parmegiana, sanduíches e salada caesar. Não gosto de trabalhar apenas como delivery. Prefiro que o cliente venha na casa, escute a trilha, se relacione com o salão”, frisa.

O salão, aliás, é um lugar que hoje, depois de se entender mais como um diretor criativo do grupo, ele consegue estar mais presente. “Penso no cardápio, testo, mas quando a coisa anda, saio. Foi esse movimento que permitiu a expansão do grupo”, diz.

Próximos passos? Vai levar para o Rio Design Barra três casas: Irajá Redux, Galeto e Rainha. E novidades conceituais? “Confesso que acalmei meu coração. Vou trabalhar nas marcas que já existem”, avisa Artagão.