À sombra do coronavírus, um ano marcado pela perda de 7.500 vidas em Niterói

Leonardo Sodré
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NITERÓI — Passado um ano desde que o primeiro niteroiense foi diagnosticado com a Covid-19, os reflexos no crescimento dos falecimentos por doenças respiratórias e cardíacas aceleradas pelo coronavírus levaram a cidade ao recorde de mortes na série histórica de Estatísticas do Registro Civil: 7.500 em 12 meses. Foram 2.047 mortes diretamente causadas pela doença, mas a sobrecarga na rede hospitalar e o aumento no número de falecimentos em domicílios contribuíram para a marca inédita.

O número de óbitos registrados em cartórios no ano da pandemia (7.500), considerado o período de março de 2020 a fevereiro de 2021, totalizou 2.132 falecimentos a mais do que a média dos mesmos períodos desde 2003, no início da série histórica. Em termos percentuais, significa um crescimento de 39,4% de óbitos em relação à média. Na comparação com o período de março de 2019 a fevereiro de 2020, o aumento foi de 34,3%. Os dados são da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, o médico Alberto Chebabo diz que a crise sanitária provocada pela pandemia impactou no atendimento a outras doenças e contribuiu para o crescimento geral do número de mortes.

— As mortes por outras doenças cresceram devido à falta de atendimento. Muita gente teve cirurgias suspensas ou não conseguiu diagnósticos e tratamentos por medo de ir até o hospital — explica o infectologista.

O agravamento da pandemia fez de fevereiro de 2021 um dos meses mais mortais na cidade, com um total de 531 óbitos registrados pelos cartórios no período: 112 a mais do que a média mensal.

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