Às vésperas de anúncio de Trump, Reino Unido faz apelo por acordo nuclear com Irã

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na véspera do anúncio americano sobre o acordo nuclear com o Irã, o chanceler britânico, Boris Johnson, pediu para que o presidente dos EUA, Donald Trump, não abandone o pacto.

Johnson afirmou que o acordo tem seus problemas, mas que, de todas as opções existentes para garantir que o Irã nunca consiga uma arma nuclear, ele é o que oferece “menos desvantagens”.

A declaração do britânico em artigo no New York Times e posteriormente ao programa de TV Fox & Friends (um dos preferidos de Trump) veio horas antes de o presidente americano afirmar que a decisão será anunciada às 14h (15h em Brasília) desta terça-feira (8).

Ele não indicou qual decisão vai anunciar nesta terça.

Trump havia dito anteriormente que até 12 de maio tomaria uma decisão sobre o pacto nuclear de 2015. Ele já disse que voltará a impor sanções contra o Irã se não forem retificadas o que ele chamou de “falhas desastrosas do acordo”.

O americano vem sofrendo forte pressão de seus aliados europeus para manter o pacto, com o britânico Johnson fazendo a mais recente investida, que incluiria visita ao vice-presidente americano, Mike Pence.

As autoridades europeias dizem estar dispostas a negociar um acordo lateral com os iranianos, mas que para isso o pacto atual precisa ser mantido.

Reino Unido, França e Alemanha continuam comprometidos com o acordo, mas, em um esforço para manter Washington nele, querem abrir conversas sobre o programa de mísseis balísticos o Irã, suas atividades nucleares após 2025 (quando a maior parte do acordo expira) e suas ações militares na Síria e no Iêmen.

Nesta segunda-feira (7), o presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que o país está disposto a se manter no acordo, desde que a União Europeia ofereça garantias de que os benefícios acertados em 2015 continuarão valendo.

O atual acordo impõe travas ao programa nuclear iraniano em troca de alívio nas sanções impostas pela comunidade internacional.

Rouhani afirmou ainda que a desistência dos EUA será um “erro estratégico”. No domingo (6), ele disse que, se o governo Trump abandonar o acordo, será “um arrependimento histórico para eles”.

Na última semana de abril, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, fez uma apresentação para mostrar supostos documentos que comprovam que o Irã não cumpriu sua parte do acordo e continuou expandindo a atividade nuclear.

Enquanto Trump elogiou Netanyahu, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, disse que as informações não comprovam uma quebra do acordo.