Às vésperas da remoção, famílias de comunidade de Niterói temem ser reassentadas longe de casa

Giovanni Mourão
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NITERÓI — As 11 famílias da comunidade da Ciclovia, em Piratininga, que deverão deixar suas casas em razão das obras de saneamento ambiental promovidas pelo Programa Região Oceânica Sustentável (PRO-Sustentável), temem que a prefeitura não cumpra sua promessa de indenização e reassentamento.

Em dezembro, a coordenadoria do PRO-Sustentável se reuniu com as famílias e informou que quem não optasse pela indenização financeira seria reassentado em imóveis na própria comunidade, para que a desocupação ocorresse da forma menos traumática possível. No mesmo mês, o município disse ao GLOBO-Niterói que o processo de remoção duraria um ano.

Mas uma reunião em 28 de janeiro deixou o grupo preocupado. Segundo uma das presentes, a moradora Marise Pereira, a coordenadoria do projeto disse que só realocaria as famílias em outras casas da comunidade se os donos quisessem vendê-las e que todos teriam que sair até abril, uma vez que as obras precisam ficar prontas em julho.

— Eles estão nos matando de angústia. Pediram para não falarmos com a oposição ao governo e nem com a imprensa, o que nos faz acreditar que estamos sendo enrolados. E nos disseram ainda que, se a indenização não for suficiente para a compra de uma nova casa, o dinheiro pode ser usado para fazermos puxadinhos na casa de parentes. Um absurdo — conta Marise, que mora na comunidade há 30 anos.

A prefeitura diz que apenas as famílias que moram nas casas às margens do Rio Jacaré serão removidas neste primeiro semestre. As demais terão de se mudar na segunda metade de 2021. Acrescenta que vem buscando contato com os donos dos imóveis vazios para avaliar o interesse na venda e que as contrapartidas aos moradores permanecem sendo a indenização ou a compra de um imóvel dentro do valor previsto como compensação financeira pela moradia atual.

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