Às vésperas dos 3 anos das mortes de Marielle e Anderson famílias cobram ações contra impunidade

Geraldo Ribeiro
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RIO - O assassinato da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes completa três anos neste domingo e, para lembrar a data, o Instituto Marielle Franco e a Anistia Internacional Brasil apresentaram nesta sexta-feira uma série de ações exigindo justiça para o crime. Entre elas, está o lançamento de um dossiê produzido pelo instituto contendo na sua linha do tempo um histórico com um compliado das investigações e as principais ações da lutas por busca de justiça, incluindo as realizadas pelas famílias. Também estão no documento, disponível na internet (wwwcasomarielleeanderson.org) 14 perguntas sobre o caso consideradas ainda sem respostas e listadas pelos dois órgãos, sendo a principal delas sobre quem foi o mandante e a motivação do crime.

— Três anos é muita coisa, muito tempo para a gente não saber quem são os mandantes dessa barbárie. Não tem como mensurar a dor de uma mãe que passa por uma situação dessa — lamentou Maninete Silva, a mãe da veradora, durante a entrevista coletiva que apresentou o dossiê e uma petição com mais de 1 milhão de assinaturas colhidas pela Anistia Internacional Brasil e que será encaminhada ao governador em exercício Cláudio Castro e ao procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Luciano Mattos

Agatha Arnaus, viúva de Anderson, também lamentou a longa espera. Porém, disse que o desejo por justiça nunca morre e que a luta incessante por respostas é que mantém renovada a esperança. Para ela, a criação de uma Força-Tarefa específica no Ministério Público para investigar o caso, demorou muito:

— Levou tempo demais. Essa força-tarefa devia ter sido criada lá no início. Não é uma questão de privilégio fúnebre. Eles falam tanto que tiram técnicas inovadores nesse caso, então sim, é importante que tenham um olhar diferenciado — reclamou a vúva de Anderson.

Jurema Werneck, representante da Anistia Internacional no Brasil, assim como os demais presentes à coletiva virtual, reclamou das diversas trocas no comando das investigações, tanto no Ministério Público quanto na Polícia Civil.

— Quero destacar que foram três governadores, dois procuradores gerais de justiça, três delegados, três promotoras. Foram no total cinco trocas. Três anos que a gente pergunta: quem mandou matar Marielle Franco e por quê? É inadmissível que três anos depois não tenhamos essas respostas. A gente não pode aceitar que as autoridades brasileiras não deem uma resposta clara a essa tentativa de silenciamento— cobrou Jurema.

Anielle Franco, diretora-executiva do Instituto Marielle Franco e irmã da vereadora informou para manter viva a lembrança e o legado da vereadora assassinada, nesse mês de março 70 parlamentares de 45 cidades do Brasil se comprometeram a apresentar projetos criando no dia 14 de março o “Dia Marielle Franco de Enfrentamento à Violência Políticia Contra Mulheres Negras, LGBTQIA+ e Periféricas”. Além disso, mais de 12 projetos de leis apresentados pela vereadora carioca em pouco mais de um ano de mandato na Câmara do Rio serão multiplicados em outras cidades, adpatadas às suas realidades.´

— Essa é uma forma de manter o legado Político de Mariele vivo. O instituto realiza essa ação nacionalmente para enviar uma mensagem sobre a importância do fazer Marielle e não só do falar Marielle. Não é só falando dela que a gente se sente representada na política. Além do pacote legislativo a gente envia também um modelo de discurso para que as vereadoras possam falar na tribuna e ecoar numa só voz a importância de levar o legado da Mari adiante. O vídeo desse discurso será uma das ações para o próximo domingo — afirmou.

Perguntas sem respostas:

As perguntas que não foram respondias, segundo o Instituto Marielle e a Anistia Internacional, e estão no dossiê contemplam indagações sobre o crime especificamente, das investigações e da atuação dos órgãos externos na cobrança por Justiça. Confira, a seguir:

1 - Quem mandou matar Marielle?

2 - Qual a motivação do mandante do crime?

3 - Por que ainda não se avançou na investigação sobre a autoria intelectual do crime?

4 - Qual é a ligação do responsável pela clonagem do carro com o crime e o grupo de milicianos ligado a Adriano Nóbrega e o Escritório do Crime?

5 - Qual é a conclusão das investigações sobre o extravio das munições e armas da Polícia Federal usadas no crime?

6 - Quem desligou, como e a mando de quem as câmeras de segurança do trajeto que Marielle e Anderson percorreram não estavam funcionando?

7 - Por que não existe uma atuação coordenada das instâncias em níveis estadual e federal sobre a elucidação do caso de Marielle e Anderson?

8 - Por que até agora a Google não entregou os dados solicitados pelo MPRJ e a Polícia Civil para a investigação?

9 - Por que houve tantas trocas no comando da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, responsável pela investigação do caso Marielle?

10 - Houve tentativa de fraude nas investigações? Por quem?

11 - Foi aberto um inquérito pela Polícia Federal para apurar as interferências na investigação do caso. Por que em meio a estas investigações, o superintendente regional da Polícia Federal do Rio de Janeiro foi trocado?

12 -O presidente Jair Bolsonaro informou que Ronnie Lessa foi ouvido pela polícia federal sobre o caso do porteiro. Este interrogatório foi entregue ao Ministério Público e à Polícia Civil do Rio de Janeiro?

13 - Por que o governo brasileiro não forneceu todas as informações demandadas pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas?

14 - Por que as recomendações da Comissão Externa realizada no âmbito do Congresso Nacional no ano de 2018 ainda não foram implementadas?