Às vésperas dos 90 anos de João Gilberto, IMS revela registros inéditos do pai da bossa nova

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Às vésperas dos 90 anos de João Gilberto (1931-2019), que serão celebrados no próximo dia 10, o Instituto Moreira Salles disponibilizou digitalmente, através da Rádio Batuta, registros históricos e inéditos do pai da bossa nova entre 1959 e 1960. São três fitas de rolo que, somadas, trazem 41 gravações de João Gilberto, incluindo 20 canções que ele jamais viria a gravar oficialmente. O material está disponível gratuitamente no site radiobatuta.com.br.

As fitas foram gravadas despretensiosamente pelo jurista, músico e cronista baiano Carlos Coqueijo, amigo de João. Duas delas, inclusive, se passam na casa de Coqueijo, em Salvador. Por se tratar de gravações caseiras, que não tiveram tratamento em estúdio, existem ruídos e chiados naturais.

Na primeira fita, João canta e toca seu violão inigualável e é acompanhado por sua então esposa, a cantora Astrud Gilberto. O encontro se dá em setembro de 1959, sete meses após o lançamento do LP “Chega de saudade”. Bem à vontade, como era raro de se testemunhar, o gênio chega a brincar logo no começo da fita sobre o fato de ter errado a letra: “Às vezes eu ainda atrapalho a letra. É bom quando não procuro mais a letra na cabeça. Ela vem no sangue”, comenta, antes de cantar “Comigo é assim”, de José Menezes e Luiz Bittencourt, um dos registros inéditos das fitas, assim como “Foi a noite” (Tom Jobim e Newton Mendonça), na qual João é acompanhado pela voz de Walter Santos.

A fita seguinte de Coqueijo registra um show de João e Vinicius de Moraes na ocasião dos 46 anos da Associação Atlética da Bahia, então presidida pelo jurista, em outubro de 1960. Esta é um registro breve e cortado. Incentivado poir Coqueijo, Vinicius explica à plateia o que é a bossa nova, o João canta e toca “Chega de saudade”, “O pato”, “Água de beber” e “Doralice” (quando o áudio é cortado).

Por fim, em outra gravação na casa de Coqueijo, um mês depois da apresentação, João volta a ser gravado, desta vez solo. Na cantoria, o artista traz canções que virariam históricas, como “Saudade da Bahia” e “O samba da minha terra”, mas também outras inéditas, casos de Dorme que eu velo por ti (Roberto Martins e Mário Rossi) e Nada além (Custódio Mesquita e Mário Lago).

Foi a viúva de Carlos Coqueijo, Aydil, quem tomou a iniciativa de transformar os rolos em cassete e, depois, digitalizá-los. Uma das cópias ela entregou para a pesquisadora Edinha Diniz, que cedeu ao IMS. Luiz Fernando Vianna, coordenador da Rádio Batuta, diz que o instituto conseguiu autorização da advogada Silvia Gandelman, indicada pela Justiça para representar o espólio de João Gilberto, em meio ao imbróglio que envolve os herdeiros do músico.

— Usamos sem fins comerciais, só no ambiente do site da rádio. Naturalmente, os herdeiros terão direito a uma cópia desse material, caso queiram dar algum tipo de tratamento comercial — comentou Vianna. — É um registro histórico, jamais nos meteríamos numa gravação de João Gilberto. Por isso tem reuídos, não quisemos fazer qualquer edição, cortar pedaços... A íntegra está lá.

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