'Às vezes, quando o treino acaba nem nos conseguimos mexer', conta atleta que desmaiou na piscina durante Mundial

A nadadora americana Anita Álvarez, que protagonizou momento de pânico no Mundial de Natação em Budapeste (Hungria), ao desmaiar debaixo da água após apresentação em prova individual, comentou pela primeira vez sobre o momento, de aflição para quem estava de fora da piscina, nem tanto para ela própria.

— Não senti que estivesse no limite, só que estava dando tudo de mim na piscina. No último exercício, em que tenho que me despedir levantando um braço, acho que pensei: "Empurra o braço! Não desista agora! Dá tudo de ti até o último segundo!" No passado já me senti desvanecer, mas desta vez estava muito ligada mentalmente, tão dentro do meu papel, vivendo o momento... Não senti dores. Às vezes é como no atletismo, só quando se para de correr é que se sente dor. Nessa rotina na piscina me sentia ótima, cansada como sempre, mas gostando. E quando senti que finalmente poderia relaxar, foi quando tudo ficou preto. Não me lembro de mais nada até acordar — disse a atleta ao jornal As.

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Recuperada, Anita Álvarez, que chegou a ser resgatada pela treinadora espanhola Andrea Fuentes, em cena que rodou o mundo, não poderá voltar à piscina nesta sexta-feira na final por equipes. Ela foi impedida pela Federação Internacional de Natação (FINA).

Sua treinadora, ex-atleta e medalhista olímpica, chegou a contar que ela ficou cerca de dois minutos sem respirar:

— Foram dois minutos sem respirar e, com a pulsação a 180, você não quer estar dois minutos sem respirar. Teve um momento que me assustei de verdade, mas agora estamos rindo as duas juntas. Ela está muito bem — contou a técnica, que pulou na piscina imediatamente, de roupa, quando percebeu que a atleta havia desmaiado. — Falei 'isso não é normal'. Gritei para os socorristas para que pulassem na água, mas não ouviam ou não entendiam. Fui o mais rápido possível, como se fosse uma final olímpica. Quando a tirei, não respirava e tinha a mandíbula muito contraída. Foi um desmaio por esforço. Vimos onde estava o limite.

Anita lembrou que isto já aconteceu mais vezes e não só com ela. É que, na sua opinião, a modalidade exige muito esforços.

— As pessoas não têm noção porque passamos uma imagem de harmonia e felicidade. Temos maquiagem e sorrimos. Essas pequenas coisas escondem como a modalidade é de fato, tremendamente exigente. Quando o treino acaba às vezes nem nos conseguimos mexer. As pessoas não imaginam a frequência com que estes desmaios acontecem. Chamou a atenção porque aconteceu durante um Mundial. As pessoas não veem que nesta modalidade isto acontece todos os dias, não é só comigo.

Bela Merkely, chefe dos serviços médicos do Mundial, comentou sobre o ocorrido e o fato dela ter sido impedida de voltar à piscina em Budapeste:

— Há diferentes tipos de esportistas, alguns toleram bem as flutuações entre oxigênio e dióxido de carbono, há outros mais sensíveis. Ela é um desses tipos, talvez esta modalidade não seja para ela — disse ao jornal As.

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