África pode acabar com a fome até 2025 com políticas eficazes, alerta FAO

Crianças deslocadas como resultado dos ataques do Boko Haram no nordeste da Nigéria comem no acampamento de Yola, no Estado de Adamawa, Nigéria. 13/01/2015 REUTERS/Afolabi Sotunde

ROMA (Thomson Reuters Foundation) - A África poderia acabar com a fome até 2025 se os países adotassem políticas eficazes na criação de empregos, estabilidade política e proteção social, disse uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira.

"Os países da África estão fazendo progressos significativos (para acabar com a fome), há um alto nível de comprometimento político", disse o oficial sênior de políticas da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), James Tefft, à Thomson Reuters Foundation.

Alguns líderes empresariais, reunidos na Suíça para o Fórum Econômico Mundial, apoiaram essa visão.

Avanços econômicos ao longo dos próximos 15 anos irão "melhorar a vida das pessoas em países pobres mais rápido do que em qualquer outro momento da história", afirmou a Fundação Bill e Melinda Gates numa carta aberta divulgada na quarta-feira.

A África, que abriga sete das 10 economias que mais crescem no planeta, tem a população mais jovem do que qualquer outro continente, afirmou a FAO.

Progresso está sendo feito em muitos países, mas a violência, a má gestão pública e a instabilidade política impedem o avanço de outras nações.

"Nós tendemos a ver a situação da fome e da segurança alimentar como fatores que lideram e estimulam crises complexas", disse Tefft.

Mesmo partes de Somália e Uganda, áreas onde a violência atingiu a produção de alimentos, têm visto melhorias recentemente, disse ele.

Os governos precisam melhorar a ajuda às regiões atingidas pelo conflito para tentar estimular a produção e o emprego e ajudar a resolver crises de violência, disse ele.

A maioria dos alimentos da África é cultivada por pequenos agricultores, e melhorar o acesso deles ao crédito e a insumos como fertilizantes é crucial para aumentar a produção local e criar postos de trabalho, disse Tefft.

Um grupo significativo de Estados africanos cumpriu a Meta de Desenvolvimento do Milênio da ONU de reduzir pela metade a proporção de pessoas famintas em relação a 1990, incluindo: África do Sul, Argélia, Benin, Egito, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Malauí, Mauritânia e Togo.

Outros países, como Gana, Camarões e Mali, têm feito ainda melhor, reduzindo o número absoluto de pessoas com fome em 50 por cento ou mais.

Estas melhorias relativas, no entanto, escondem grandes desafios.

O crescimento da população significa que o número absoluto de pessoas que passam fome em todo o continente passou de 217 milhões em 1990 para 227 milhões em 2014, mostraram dados da FAO.

Uma em cada quatro pessoas em toda a África subsaariana ainda está subnutrida, a maior proporção de qualquer região do mundo, de acordo com o relatório da FAO de 2014 "Estado da Insegurança Alimentar no Mundo".

Para cumprir as metas para a redução da fome, os líderes africanos assinaram a Declaração de Malabo no ano passado, estabelecendo uma série de metas, incluindo: aplicar 10 por cento dos gastos públicos na agricultura; dobrar a produtividade agrícola; elevar o crescimento de economias agrícolas em pelo menos 6 por cento ao ano; e triplicar o comércio de bens e serviços agrícolas na África.

(Reportagem de Chris Arsenault)