África se prepara para segunda onda de coronavírus

Claire DOYEN con las oficinas de la AFP en África
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A África, até agora pouco afetada pela pandemia, se prepara para enfrentar a segunda onda de covid-19 que está obrigando os países mais afetados do continente de 1,2 bilhão de habitantes a adotar medidas rigorosas.

Na África do Sul, nas rodovias próximas às praias do sudeste, há milhares de carros nesses últimos dias devido ao início do verão e das férias nessa parte do mundo.

No entanto, as áreas turísticas onde o vírus já está se propagando a uma velocidade alarmante, houve fechamentos temporários de praias, toques de recolher prolongados e as reuniões foram limitadas.

A África do Sul é o país africano mais afetado pelo vírus, com quase 900.000 casos e decidiu endurecer as restrições sanitárias.

Até agora, o impacto da epidemia no continente tem sido desigual. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da União Africana, os novos casos estão aumentando na África oriental, setentrional e meridional, mas tendem a diminuir na África ocidental e central.

Na Tunísia atualmente morrem 20 pessoas por dia pelo vírus, enquanto a primeira onda matou no total apenas 50 pessoas por lá.

Na medina de Tunis, sem turistas, os comerciantes migram para o ramo das lanchonetes para servir os clientes locais.

No leste do continente, em Uganda, todas as regiões foram afetadas. E na vizinha Ruanda foram registrados quase tantos novos casos em dezembro (722) quanto no começo da pandemia (797).

Os bares e clubes noturnos estão fechados desde março. O proprietário de um bar em Kigali, multado por violar as regras, contou à AFP que perdeu tudo: "Havia clientes bebendo, a polícia nos obrigou a fechar".

- Aguardando a "terceira onda" -

No Quênia, onde uma segunda onda em setembro levou à manutenção do toque de recolher e ao fechamento das escolas, alguns profissionais da saúde já estão aguardando a "terceira onda".

Há várias semanas, os CDC e a OMS pedem preparativos para uma segunda onda inevitável na África.

No entanto, a epidemia, que apareceu no continente há nove meses, não tem sido tão devastadora como se esperava, em uma região pobre e em grande parte carente de instalações sanitárias.

A África tem 2,4 milhões de casos, de acordo com uma contagem da AFP, 3,6% do total mundial, e mais de 57.000 mortes, menos que um país como a França (59.072).

Embora o baixo nível de detecção levante dúvidas sobre a confiabilidade desses números, nenhum país observou um aumento excessivo da mortalidade.

Os especialistas têm apenas hipóteses para explicar essa situação inesperada da pandemia na África, que poderia se explicar por uma população jovem ou pela imunidade adquirida em pandemias anteriores.

As medidas draconianas e precoces adotadas na maioria dos países africanos também ajudaram, embora as consequências sociais e econômicas do confinamento tenham sido desastrosas para as economias mais frágeis.

Além disso, a batalha dos países africanos pelo acesso às vacinas ainda não terminou.

O custo é calculado em quase 4,7 bilhões de euros (5,75 bilhões de dólares) e somente um quarto dos países do continente possui os recursos necessários, segundo a OMS.

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