África do Sul busca acalmar as tensões com operações de limpeza após saques

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Mulher varre escombros perto de um shopping saqueado em Durban, África do Sul

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa compareceu, neste domingo (18), às tarefas de limpeza após os terríveis episódios de violência registrados nos últimos dias no país, enquanto seu governo alerta contra os justiceiros responsáveis por instigar as tensões raciais.

Os apoiadores do ex-chefe de Estado Jacob Zuma, recentemente detido, foram acusados de terem instigado o caos desses últimos dias, os quais Ramaphosa classificou como uma tentativa orquestrada de desestabilizar o país.

O presidente de 68 anos do Congresso Nacional Africano (CNA, o partido no poder) visitou um shopping saqueado em Soweto, o imenso subúrbio próximo a Joanesburgo, para avaliar a destruição e apoiar comerciantes que, em muitos casos, perderam tudo.

"Reconhecemos que houve falhas... nos reuniremos e faremos uma análise ajustada" dos recentes eventos, afirmou.

Neste domingo, a África do Sul celebra o Dia de Mandela em homenagem ao primeiro presidente do país na democracia, uma chance de arregaçar as mangas e dedicar tempo às ações comunitárias.

O país viveu imerso no caos durante uma semana, que deixou um saldo de cerca de 212 mortos. Durante esses dias, os saqueadores invadiram shoppings e grupos não identificados incendiaram fábricas e armazéns e bloquearam estradas estratégicas para as trocas comerciais.

Essas violências - as piores na África do Sul desde os tempos do apartheid - começaram após a prisão do ex-presidente Jacob Zuma, de 79 anos, condenado a 15 meses de prisão por ter se recusado a depor para uma comissão anticorrupção.

Neste ambiente de tensão, na segunda-feira será retomada a audiência contra Zuma por outra questão de corrupção, em um claro caso de suborno vinte anos atrás.

O presidente Ramaphosa também enfrenta uma grande pressão, já que só conseguiu deter um dos supostos cérebros do que as autoridades classificaram como uma tentativa de "insurreição", que causou danos estimados em um bilhão de euros (quase 1,2 bilhão de dólares americanos).

Associações e simples cidadãos se mobilizaram para dar alimentos aos mais pobres. Em uma igreja de Durban, o grande porto sul-africano no oceano Índico, os volunários empilhavam hortaliças frescas e pão para distribuirem, segundo observou uma equipe da AFP neste domingo pela manhã.

A possível poluição provocada pelo vazamento de um produto químico de uma fábrica incendiada fez com que as autoridades fechassem várias praias próximas a Durban.

O mundo dos negócios, principalmente o turismo, que representava 7% do PIB do país antes da covid-19, teme que as imagens desses últimos dias afundem ainda mais a reputação da África do Sul e prejudiquem os investimentos.

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