África do Sul defende exercícios militares planejados com Rússia e China

Chanceleres da África do Sul, Naledi Pandor, e da Rússia, Sergei Lavrov, dão briefing à imprensa em Pretória

Por Carien Du Plessis

PRETÓRIA (Reuters) - A ministra das Relações Exteriores da África do Sul rebateu nesta segunda-feira as críticas aos exercícios militares conjuntos planejados com a Rússia e a China, dizendo que sediar esses exercícios com "amigos" é o "curso natural das relações".

Naledi Pandor fez os comentários durante reunião com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que visitava a África do Sul 11 meses após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Uma autoridade sul-africana, que não quis ser identificada porque não estava autorizada a falar em público, disse que Lavrov visitaria posteriormente Essuatíni, Botsuana e Angola.

A África do Sul é um dos aliados mais importantes da Rússia em um continente dividido sobre a invasão à Ucrânia e as tentativas ocidentais de isolar Moscou por causa de suas ações militares.

Alguns partidos de oposição e a pequena comunidade ucraniana da África do Sul disseram que receber Lavrov é insensível.

A África do Sul diz que é imparcial no conflito da Ucrânia e se absteve de votar nas resoluções da ONU sobre a guerra.

O país tem laços estreitos com Moscou --um amigo do governista Congresso Nacional Africano desde quando era ainda um movimento de libertação que se opunha ao governo da minoria branca-- e sediará um exercício conjunto com a Rússia e a China em sua costa leste de 17 a 27 de fevereiro.

"Todos os países conduzem exercícios militares com amigos em todo o mundo. É o curso natural das relações", disse Pandor, ao lado de Lavrov, a repórteres na capital Pretória.