África do Sul e EUA prometem estreitar laços após diferenças sobre Ucrânia

O presidente americano, Joe Biden, destacou nesta sexta-feira (16) a "sociedade essencial" entre seu país e a África do Sul, durante a recepção na Casa Branca de seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, sem haver menção às suas divergências sobre a guerra na Ucrânia.

"Devemos nos assegurar realmente de um entendimento pleno", disse Biden ao lado do presidente sul-africano no Salão Oval, antes do início da reunião.

"Os Estados Unidos são um parceiro importante da África do Sul", disse, por sua vez, Ramaphosa, lembrando que centenas de empresas americanas operam em seu país.

Ele disse que tenta "estender" as relações econômicas e que seu encontro com Biden era sobre "a estabilidade e a segurança internacional", em alusão aos ataques jihadistas ocorridos em Moçambique, vizinho da África do Sul.

Ramaphosa, que atravessa um momento politicamente difícil em seu país, foi recebido primeiro pela vice-presidente, Kamala Harris, com quem fez uma  breve saudação à imprensa.

"A relação entre Estados Unidos e África do Sul é muito importante por muitas razões", disse Harris, após tomar o café da manhã com Ramaphosa em sua residência em Washington.

- Sem referências à Ucrânia -

"O objetivo desta visita é fortalecer a relação" entre os dois países, disse o presidente sul-africano a jornalistas, expressando, ainda, seu "agradecimento" pela ajuda que Washington deu ao seu país durante a pandemia de covid-19.

No entanto, não houve nenhuma referência à Ucrânia. A África do Sul se manteve neutra frente à invasão russa a este país, e em várias ocasiões informou que não cederia a nenhuma pressão ocidental para condenar o regime de Vladimir Putin.

No começo de março, vários países africanos decidiram não votar uma resolução que condenasse a invasão russa.

Washington redobrou seus esforços nos últimos meses para fortalecer os laços com a África, onde está preocupado com a crescente influência da Rússia e da China.

Biden, que não esteve na África até agora, está organizando uma grande cúpula em Washington em dezembro com líderes do continente.

A África do Sul, um peso pesado na economia, ocupa um lugar de destaque nesta ofensiva de sedução, mas seu passado pesa.

- "Não fingir que a história não existiu" -

"O cenário atual tem suas razões e eu acho que nunca devemos tentar fingir que a história não existiu", disse a ministra das Relações Exteriores da África do Sul, Naledi Pandor, nesta semana, convidada pelo 'think tank' CFR, em Washington.

"O que eu não gosto é que me digam o que fazer. Não vou me deixar ser pressionada", alertou Pandor durante a visita de Blinken, questionada sobre a posição da África do Sul contra a Rússia.

Outra questão sensível: a China, com a qual a África do Sul mantém relações muito boas, mas cuja influência Washington quer contrabalançar.

A Casa Branca informou que os dois presidentes também discutiriam a ajuda prometida pelos países ocidentais para a transição energética da África do Sul, país onde o carvão tem um papel muito importante.

A África do Sul recebeu a promessa de 8,5 bilhões de dólares de vários países desenvolvidos para abandonar este combustível altamente contaminante. Mas o país teme que essa promessa de financiamento aumente sua dívida.

"Devemos falar de mudança climática", disse Ramaphosa, indicando que em seu país "muita gente tinha um certo medo" pela forma como será feita a transição para as energias mais limpas.

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