África do Sul pretende enviar vacina da AstraZeneca a países vizinhos, primeiras doses da J&J são esperadas

Alexander Winning
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Por Alexander Winning

JOHANESBURGO (Reuters) - A África do Sul planeja compartilhar 1 milhão de doses da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 com outros países africanos, disse um membro do alto escalão do governo, ao passo que as primeiras doses da concorrente Johnson & Johnson podem chegar ao país já nesta terça-feira, segundo uma associação médica.

O país pausou a distribuição de doses da AstraZeneca neste mês depois que dados de testes preliminares mostraram que essa vacina oferece proteção mínima contra as manifestações leves a moderadas da variante dominante do coronavírus no país.

O governo tem consultado cientistas sobre o que fazer com a vacina da AstraZeneca, e já tem pensado em uma alternativa, que é começar a imunizar profissionais de saúde com a vacina da J&J em um estudo de pesquisa. A Associação Médica Sul-Africana (SAMA) disse que se as primeiras doses chegarem nesta terça-feira conforme esperado, a vacinação poderia começar já na quarta-feira.

Inicialmente, oitenta mil vacinas da J&J são aguardadas, e até 500.000 profissionais de saúde poderiam ser imunizados neste estudo clínico.

A presidente da SAMA, Angelique Coetzee, disse que as vacinações aconteceriam em hospitais de cada uma das nove províncias do país. Aproximadamente dois terços das doses iriam para profissionais de saúde do setor público e um terço para os do setor privado.

Anban Pillay, vice-diretor geral do Departamento de Saúde do país, disse que a África do Sul planeja compartilhar as 1 milhão de doses da AstraZeneca recebidas no início do mês do Instituto Serum da Índia por meio da União Africana.

"As doses serão compartilhadas com países do continente... por meio da União Africana", disse Pillay à Reuters, acrescentando que o governo tentará recuperar o dinheiro gasto com a vacina da AstraZeneca.

Ele disse que não é verdade que a África do Sul pediu ao Instituto Serum que recebesse de volta as doses, conforme noticiou o jornal indiano The Economic Times.