Área alagada por cheias no Pantanal cai 29% em 30 anos e inundação dura menos tempo

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SÃO PAULO — As cheias no Pantanal estão alagando menos e o período de inundação também diminuiu. Levantamento feito pela rede MapBiomas mostra que a área coberta por água e campos alagados na última cheia, de 2018, alcançou 4,1 milhões de hectares, 29% a menos do que a cheia de 1988, que marca o início da série acompanhada por imagens de satélite. Se na década de 1980 a cheia durava seis meses, agora dura apenas dois. Em 2020, quando o Pantanal ardeu em chamas com queimadas, a cheia atingiu apenas 1,5 milhão de hectares — a menor área em 36 anos.

O engenheiro agrônomo Eduardo Rosa, que integra o MapBiomas, afirma que a redução de água no Pantanal é fruto da variação climática e, também, dos desmatamentos na Amazônia e no cerrado, uma vez que a planície depende das chuvas e da quantidade de água de rios que nascem na região de planalto, no Mato Grosso.

Enquanto o Pantanal tem ainda 83,8% de sua vegetação nativa preservada, no planalto 56,6% já foram desmatados. Desde 1985, início da série, foram perdidos 2,5 milhões de hectares de floresta e 2,3 milhões de hectares de savana. A contrapartida foi o crescimento de pastagens e áreas agrícolas, muitas delas destruindo nascentes e provocando assoreamento nos rios.

Segundo Rosa, uma mostra de assoreamento é a transposição do Rio Taquari, que mudou seu curso em menos de 30 anos, deixando para trás 150 km de leito seco.

— O Pantanal não depende só dele. Depende de quanto é possível reflorestar em matas ciliares e recuperação de nascentes na área de planalto da Bacia do Alto Paraguai. E também da Amazônia, que é de onde vem a chuva para a região — explica Rosa.

A biodiversidade da planície pantaneira também tem sido devastada pelo fogo. De todos os biomas brasileiros, o Pantanal foi o que mais queimou nos últimos 36 anos: 57,5% de seu território foi queimado pelo menos uma vez entre 1985 e 2020 — ou 86.403 km². A área queimada em 2020 foi segunda maior da série, inferior apenas à de 1999.

O fogo destruiu bem mais áreas de vegetação nativa do que pastos ou terras ocupadas pela agricultura. De acordo com o MapBiomas, 93% do fogo no período ocorreu em vegetação nativa e apenas 7% em áreas modificadas pelo homem. Nada menos do que 67% das áreas afetadas pegaram fogo mais de uma vez, o que provoca a degradação dos ambientes naturais.

Os meses de agosto a outubro, que são de seca no Pantanal, são também os que apresentam maior incidência de queimadas. Só este ano, de janeiro até a última terça-feira (dia 28 de setembro) foram registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) 4.937 focos de incêndio no bioma. É bem menos do que em 2020, quando foram registrados 17.491 focos no mesmo período, mas os estragos continuam. Os municípios mais atingidos são Corumbá e Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e Cáceres e Barão de Melgaço, no Mato Grosso.

De 1985 a 2020, 1,8 milhão de hectares do Pantanal foram ocupados pelo homem. Na Bacia do Alto Paraguai, 40% da área possui uso agropecuário.

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