Área técnica não foi consultada sobre hospitais de campanha no Rio, diz ex-subsecretária

André Coelho
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RIO — A médica Mariana Scardua, ex-subsecretária de Atenção Integral à Saúde do governo do Rio, afirmou que os técnicos da Saúde estadual não foram consultados sobre as contratações realizadas no início da pandemia de Covid-19, em março deste ano. Segundo Scardua, ela, que é médica da família e era responsável por toda a área técnica desde janeiro de 2019, ficou sabendo da contratação da Organização Social Iabas para a construção de sete hospitais de campanha pela imprensa.

Mariana presta depoimento por videoconferência ao tribunal misto que julga o proceso de impeachment contra o governador afastado Wilson Witzel nesta segunda-feira (28). Segundo ela, que era responsável pela elaboração dos termos de referência para contratações feitas pela Saúde, a construção dos hospitais temporários só seria cogitada em fases posteriores da pandemia:

— Não fui consultada em momento algum sobre nenhum processo de contratação, desde medicamento, UTI, até organizações sociais e hospitais de campanha, que inclusive não estavam nos planos da SES para a primeira, segunda e terceira etapas, apenas na quarta etapa — declarou Mariana.

Assim como seu ex-assessor Luiz Octávio Martins Mendonça, Scardua disse que as contratações começaram a ser feitas à revelia da área técnica a partir da nomeação de Gabriell Neves para a subsecretaria executiva da pasta, em fevereiro deste ano. Neves chegou a ser preso por desvios, entre eles a compra de respiradores inadequados para o tratamento de pacientes com Covid-19.

Exoneração após alerta

Segundo Scardua, que integrou a secretaria municipal de Saúde da prefeitura do Rio até 2017, onde a Iabas foi desqualificada, ela alertou o então secretário Edmar Santos sobre o risco de contratação da organização, mas acabou exonerada:

— Quando eu fiquei sabendo pela mídia e depois no gabinete de crise que os hospitais de campanha estavam sendo realizados pelo Iabas, eu fui ao secretário e avisei que o Iabas tinha um histórico de não entregar o que promete — afirmou ela — E, quando eu faço um novo alerta sobre o Iabas ao secretário à época, no dia 2 de abril eu fui comunicada pelo subsecretário geral que eu estaria exonerada no dia seguinte, 3 de abril — contou.

Scardua negou ter sido indicada politicamente, e afirmou que foi apresentada à então equipe de transição de governo, no final de 2018, por Ramon de Paula Neves, então assessor de Wilson Witzel, com quem tinha amigos em comum.