Árvore da Lagoa gera até 3,8 mil postos de trabalho

Diego Amorim
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Comércio próximo da Árvore de Natal da Lagoa

O cearense José Almir Ferreira veio para o Rio em 1992, aos 18 anos. Começou a trabalhar na cozinha de um restaurante no Centro, onde ficou até o estabelecimento fechar, atingido pela crise, em 2017. Desempregado, passou a vender tapioca recheada pelas ruas da cidade. Este ano, pela primeira vez, o ambulante decidiu tentar a sorte no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, que recebe mais uma vez a Árvore de Natal. A atração, com suas 900 luzinhas de LED, tem feito brilhar a economia informal carioca.

— É o meu ganha-pão, assim como de muitos aqui. A vida está difícil, o dinheiro não está fácil de ser conquistado. Precisamos batalhar da forma mais digna possível — diz ele.

A árvore da Lagoa é tão importante para a economia do Rio que foi alvo de estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A conclusão é que José Almir é um entre 3,8 mil postos de trabalho gerados pela atração. Segundo a FGV, 56% do total são ocupações diretas e 44%, indiretas. Na orla da Lagoa, ambulantes dividem espaço com comerciantes credenciados pela prefeitura. Pipoca, milho, brinquedos, água de coco, balão e churrasquinho. Vê-se de tudo ao redor do espelho d’água.

Trabalho até no dia 25

A expectativa é que 400 mil pessoas visitem a árvore até 6 de janeiro, quando ela será desmontada. O estudo mostra ainda que a estrutura representa, historicamente, um impacto econômico positivo médio de quase R$ 190 milhões para a cidade. Só a montagem e a operação da árvore reúnem, aproximadamente, 550 funcionários:

— Fazer parte desse evento é uma sensação ímpar. Enfrentamos muitas dificuldades, mas ver a emoção e a felicidade das pessoas compensa tudo. Encontrei na árvore uma oportunidade de desenvolvimento profissional — conta o iluminador Marcos Campos, de 42 anos.

Com expectativa de faturar mais , o pipoqueiro Lucas Santos, de 19 anos, também comemora. Mas observa que, em relação ao ano passado, houve queda acentuada nas vendas. A experiência dele confirma o estudo da FGV, atestando que os tempos estão mais difíceis do que em anos anteriores.

— Se compararmos com 2018, calculo uma queda entre 60% e 70%. A crise chegou para todo mundo. As famílias hoje trazem lanche de casa, isopor com bebidas, biscoitos para as crianças. São poucas as que consomem aqui — diz o vendedor que, na quinta-feira, em cinco horas de trabalho, tinha vendido apenas R$ 50 em pipoca: — Em anos anteriores, já ganhei mais de R$ 600 em uma noite.

Investimento na última hora

Mesmo com vendas menos aquecidas, a Árvore da Lagoa é certeza de ceia mais farta para muitos trabalhadores informais. Após ficar de fora do calendário em 2016 e 2017 e voltar em 2018, a instalação quase não aconteceu este ano por falta de patrocínio. Mas, na última hora, surgiu em grande estilo, com 70 metros de altura, graças ao apoio da Light, através da Lei de Incentivo à Cultura, que investiu R$ 13,6 milhões na estrutura. Quem se beneficia da beleza flutuante no espelho d’água da Lagoa ainda queria mais.

— Também é preciso oferecer shows e atrações que segurem o público. A inauguração deste ano foi mais fraca de público e de vendas — opina o vendedor de milho Henrique Francisco, de 25 anos.

Quem se instala ali não está para brincadeira. Para turbinar o faturamento, o ambulante Júlio Alexandre, de 30 anos, está disposto a trabalhar até no feriado de Natal.

— Trabalho vendendo balões luminosos e algodão doce há mais de dez anos no Parque Madureira. Mas no fim do ano, venho para a Lagoa, onde vendo R$ 900 em uma noite. Só vou ficar em casa no dia 24, por causa da mulher, mas no dia 25 estarei aqui.

Além da árvore, há quatro atrações interativas no Parque do Cantagalo, na Lagoa. No “Luzes do Rio”, o público pode gerar a própria energia e iluminar um globo. São quatro bicicletas — duas de adultos e duas infantis — que acionam uma ilustração em LED da Cidade Maravilhosa. Além disso, é possível posar para fotos em frente a um letreiro luminoso, aprender conceitos de eletricidade e contribuir com o descarte de materiais recicláveis.