Ásia e Europa acolhem novo governo afegão do Taliban com cautela

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Manifestantes afegãos protestam perto da embaixada do Paquistão em Cabul, Afeganistão

(Reuters) - Alemanha, China e Japão mostraram uma reação morna ao governo provisório do Taliban no Afeganistão nesta quarta-feira na esteira da tomada repentina de Cabul no mês passado.

Líderes dos militantes islâmicos preencheram todos os cargos principais da lista divulgada na terça-feira, que não tem pessoas de fora nem mulheres. Um associado do fundador do grupo foi nomeado como primeiro-ministro, e o ministro do Interior consta de uma lista de terroristas procurados pelos Estados Unidos.

A estrutura do novo governo se choca com conselhos de potências estrangeiras para que o Taliban montasse um governo inclusivo. Estas apoiaram as promessas do grupo de uma abordagem mais conciliadora, que respeite os direitos humanos, contanto que os militantes busquem a paz e o desenvolvimento.

Expressando preocupação com a composição do governo, o ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas, disse que vê poucos motivos de otimismo a respeito das condições no Afeganistão.

"O anúncio de um governo de transição sem a participação de outros grupos, e a violência de ontem contra manifestantes e jornalistas em Cabul, não são sinais que dão motivo para otimismo", disse.

Os afegãos que desfrutaram de grandes avanços na educação e nas liberdades civis durante os 20 anos de governo apoiado pelos EUA continuam temerosos das intenções do Taliban, e protestos diários continuam desde a tomada de poder pelo grupo.

Maas disse, porém, que a Alemanha está disposta a continuar conversando com o Taliban na tentativa de fazer com que mais pessoas possam deixar o país, abalado pela escassez de alimento e pela suspensão de pagamentos internacionais.

A China, que compartilha uma fronteira com o Afeganistão, pediu o estabelecimento de um governo "aberto e inclusivo" depois que o Taliban assumiu o controle em meio ao caos da retirada dos militares dos EUA.

Um porta-voz da chancelaria disse em Pequim nesta quarta-feira que a China vê a montagem do novo governo como um passo necessário rumo à reconstrução do Afeganistão.

"Esperamos que as novas autoridades afegãs ouçam amplamente as pessoas de todas as raças e facções para atender as aspirações de seus próprios povos e as expectativas da comunidade internacional", disse Wang Wenbin em uma entrevista coletiva diária.

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que os serviços básicos estão degenerando no Afeganistão, e alimentos e outras formas de assistência estão prestes a acabar.

(Das redações da Reuters)

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