Áustria anuncia confinamento de não vacinados a partir de segunda-feira

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O chanceler Alexander Schallenberg, entre os ministros do Interior, Karl Nehammer (E), e da Saúde, Wolfgang Mueckstein (D) (AFP/Georg Hochmuth)

As pessoas não vacinadas ou que não contraíram recentemente a covid-19 terão que obedecer um confinamento a partir de segunda-feira (15) na Áustria, uma medida inédita na União Europeia que pretende frear o número recorde de novos casos.

"A situação é grave (...) Não adotamos a medida de maneira leve, mas infelizmente é necessária", disse o chanceler Alexander Schallenberg em uma entrevista coletiva em Viena.

Quase 65% da população recebeu as duas doses da vacina na Áustria, percentual inferior à média europeia, que é de 67%, e longe de países como Espanha (79%) e França (75%).

Schallenberg considerou o índice "vergonhosamente baixo" ao anunciar na sexta-feira o plano de confinamento.

Concretamente, cerca de 2 milhões de pessoas não poderão deixar suas casas, a não ser para fazer compras, praticar esportes ou receber atendimento médico. A medida será aplicada a todas as pessoas a partir de 12 anos..

E para garantir o respeito da medida, as autoridades farão controles não anunciados "em uma escala sem precedentes" em zonas públicas, segundo o governo, que mobilizará viaturas policiais adicionais.

Os infratores se arriscam a pagar uma multa de 500 euros (570 dólares). Quem se negar a passar pelos controles pagará 1.450 euros.

O governo avaliará os resultados das restrições em um prazo de 10 dias, informou o ministro da Saúde, Wolfgang Mückstein, que pediu aos hesitantes que aceitem a vacina o mais rápido possível.

Uma comissão parlamentar autorizou a medida neste domingo à noite, graças ao apoio do partido conservador e dos Verdes, membros da coalizão no poder. A oposição foi contra.

- Protestos -

Centenas de manifestantes contrários à medida se reuniram diante da sede de governo com cartazes que incluíam a frase "Não à vacinação obrigatória".

As pessoas não vacinadas já estão proibidas de entrar em restaurantes, hotéis e salões de beleza.

"Estou aqui para enviar uma mensagem, temos que lutar", declarou à AFP Sarah Hein, de 30 anos, que trabalha em um hospital.

"Queremos trabalhar, queremos ajudar as pessoas, mas não queremos que nos vacinem. Depende de nós".

A cidade de Viena também é a primeira da UE a iniciar um programa de vacinação para crianças de 5 a 11 anos, com o fármaco da Pfizer-BioNTech.

As primeiras 5.000 doses na faixa etária serão aplicadas na segunda-feira.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) está revisando os dados e ainda não anunciou a aprovação à vacinação das crianças.

Os países membros, no entanto, têm o direito de utilizar produtos não autorizados em resposta a uma emergência de "saúde pública".

Também em Viena, para comparecer a eventos culturais ou esportivos com mais de 25 pessoas ou para sair para jantar será exigido a partir de agora um teste PCR, além do certificado de vacinação ou de recuperação da doença.

No sábado, a Áustria registrou mais de 13.000 novos casos de covid-19 em um país com mais de 9,8 milhões de habitantes, o maior número de contágios desde o início da pandemia, que provocou 11.700 mortes no país.

A Europa é afetada por uma nova onda da pandemia, o que obrigou vários países a restabelecer as restrições, como Holanda e Noruega.

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