Áustria se blinda contra covid-19 confinando não vacinados e imunizando crianças

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Um policial austríaco verifica o certificado digital de vacinação de uma pessoa em um controle em Graz, Áustria, em 15 de novembro de 2021 (AFP/Erwin Scheriau)

No principal centro de vacinação de Viena, crianças de cinco anos esperam nesta segunda-feira (15) para receber sua primeira dose do imunizante anticovid, ao mesmo tempo que dois milhões de não vacinados são forçados a se confinar novamente.

Para desacelerar a propagação do vírus e aumentar a taxa de vacinação de sua população (atualmente 65%), a Áustria joga duro, tornando-se o primeiro país da União Europeia a colocar em prática tal medidas.

Entretanto, a cidade de Viena decidiu começar a vacinar crianças entre os 5 e os 11 anos, apesar do regulador europeu ainda não ter dado o seu aval para o uso do imunizador Pfizer/BioNTech em pessoas dessa faixa etária.

A medida, implementada em uma segunda-feira de feriado para os alunos da capital, funcionou. Mais de 10.000 consultas foram agendadas, disse Peter Hacker, deputado municipal de saúde.

“Isso nos tranquiliza”, afirmou Gerald Schwarzl, 41, com seus dois filhos, um deles, Theo, de cinco anos. "Acreditamos que eles estarão protegidos da mesma forma que foram com as outras vacinas."

No momento, 200 menores podem ser vacinados por dia.

Usando máscaras coloridas, as primeiras crianças a serem vacinadas ficaram um pouco intimidadas com a presença da imprensa.

Como Pia, de oito anos, de vestido preto e cabelo loiro, que disse estar "um pouco" assustada, mas que fica muito feliz em conseguir seu "passe Ninja", certificado que as crianças recebem.

- "Discriminação" -

E enquanto os mais jovens recebem a injeção na capital, o chanceler austríaco, Alexander Schallenberg, um conservador, confinou a partir esta segunda-feira todas as pessoas não imunizadas após terem contraído a covid ou ainda não vacinadas.

"Privar parcialmente uma parte da população de liberdade não é algo de que gostamos", explicou Schallenberg à AFP nesta segunda-feira. Mas a medida "já está dando frutos", completou, citando "o aumento maciço nas inscrições nos centros de vacinação".

De acordo com estatísticas oficiais, quase meio milhão de pessoas receberam uma dose da vacina de covid-19 na semana passada, das quais 128.813 receberam a primeira dose.

A "situação é grave", alertou o chefe do governo no domingo diante do aumento brutal de novos casos, que atinge seus níveis mais elevados desde o início da pandemia: 12 mil novos casos por dia em média neste país de 8,9 milhões de habitantes.

A Europa enfrenta uma nova onda de infecções e vários países começaram a reimpor restrições, como Holanda e Noruega.

Mas apenas a Áustria ordenou o confinamento de não vacinados, após excluí-los de restaurantes, hotéis e cabeleireiros.

No entanto, alguns especialistas estão céticos em relação às medidas, mesmo que o governo tenha anunciado controles e sanções.

Outros, como o especialista Bernd-Christian Funk, questionam se confinar apenas uma parte da população está de acordo com a Constituição.

No domingo, várias centenas de pessoas protestaram em frente à chancelaria.

"É discriminação pura e simples", reclamou Sabine, uma consultora de energia de 49 anos, que não quis revelar seu sobrenome. "Claro, minha vida foi prejudicada, minha liberdade. Não é a maneira certa de proceder."

- Natal seguro -

No centro de Viena, os comerciantes consultados pela AFP no mercado de Natal parecem satisfeitos com as novas medidas, sem temer que a clientela venha a cair, quando se aproximam as festas de fim de ano.

"Fazemos o que deve ser feito e queremos que todos se sintam seguros", explicou Daniel Stocker, responsável pelo mercado, localizado na Praça da Prefeitura e que no ano passado teve que ser fechado devido à pandemia.

"As pessoas vêm, mostram o passaporte médico e o documento de identidade, não tem problema. Os comerciantes estão satisfeitos e os clientes estão satisfeitos", afirmou.

Mas alguns vienenses duvidam que o confinamento dos não vacinados seja suficiente.

É uma "mudança totalmente razoável, mas é um pouco tarde", de acordo com Rudolf, um arquiteto que se recusou a revelar sua identidade. "Temo que isso não termine aqui."

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