“É a adrenalina que nos segura”, diz bombeiro que combate incêndio florestal na França

REUTERS - POOL

Os incêndios provocados pela onda de calor, que já destruíram 27 mil hectares de vegetação na França, em uma semana, ilustram a capa de diversos jornais franceses. O fogo, alertam cientistas, é uma consequência direta do aquecimento global.

O jornal Libération traz uma reportagem sobre os mais de dois mil bombeiros que trabalham em condições extremas no sudoeste do país. A motivação desses homens “não diminui, apesar do cansaço e da desolação”, escreve o Libération.

“Víamos o fogo de longe, era duro, mas sabíamos que era preciso ajudar os companheiros”, diz um bombeiro, coberto de fuligem, entrevistado pelo jornal. “É a adrenalina que nos segura”, diz um colega. Mas também “uma solidariedade incrível da população, que chega com cartazes, comida, deixa mensagens nas redes sociais”, acrescenta.

Animais ameaçados

Já o jornal Le Figaro acompanhou a retirada às pressas dos animais do zoológico de Teste de Buch, de 22 hectares, ameaçados pelas fumaças tóxicas dos incêndios locais.

O zoológico tem cerca de 850 animais – 370 deles foram transferidos a um anexo a 60 quilômetros dali. Primeiro foram recolhidos os mais fáceis de se transportar, como macacos, felinos, aves e preguiças. Animais de grande porte, como girafas, rinocerontes, elefantes e outros tiveram de ficar, diante da impossibilidade de serem transportados de maneira emergencial.

Algumas chamas chegaram a cerca de 800 metros do zoo. “Os bombeiros lutaram contra o fogo para salvar girafas e elefantes de uma morte certa”, relata le Parisien.

Libération acompanhou também a estratégia dos bombeiros em criar uma zona tampão sem vegetação para tentar conter o incêndio de Teste de Buch, na Gironde. Trata-se de um cinturão de cinco quilômetros e com 300 metros de largura. Esse sacrifício de 1.500 hectares de pinhos pode impedir a propagação do fogo ao departamento vizinho ou pelo menos desacelerar o fogo.

Cenário de destruição

O jornal Le Parisien foi até a duna do Pilat, junto à costa Atlântica. De um lado, o mar. Do outro, o que até então era uma floresta exuberante, vê-se fogo, fumaça e desolação. Ali perto, mais de 200 caminhões e 500 bombeiros estão mobilizados. O terreno acidentado e arenoso dificulta o trabalho das equipes.

Especialistas temem que as consequências do incêndio possam fragilizar todo o litoral. Tentar recuperar a vegetação e prevenir são as medidas a serem tomadas, apontam. Mas tudo depende também de vontade política. A mensagem será passada ao presidente Emmanuel Macron, que visita a região nesta quarta-feira (20).

Trazida pelo vento, fumaça de incêndio atingiu Paris

Os dois incêndios que tomam conta da região de Gironde continuavam ativos pela manhã, apesar da queda das temperaturas. A progressão, entretanto, já era mais lenta. Segundo o governo francês, o total da superfície queimada pelos dois incêndios chega a 20.600 hectares.

O efeito da fumaça pôde ser observado no final da tarde no céu de Paris, onde muitos habitantes também sentiram cheiro de queimado. Em um tuíte, a Secretaria de Segurança Pública da capital confirmou que o odor era "provavelmente" proveniente dos incêndios e foi trazido pelo vento. Muitos moradores da capital e dos arredores ficaram preocupados e ligaram para os bombeiros e a polícia, levando a uma saturação dos números. de emergência. O órgão pediu que as pessoas só entrassem em contato "em caso de incêndio confirmado."

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