'É apavorante andar nas ruas, sensação de estranhamento', diz Quitéria Chagas sobre Milão depois da quarentena

Gilberto Júnior
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Quitéria posa nas ruas Milão antes de pandemia

"Parece um filme de guerra biológica", diz a bailarina Quitéria Chagas sobre o clima nas ruas de Milão desde que a quarentena foi afrouxada. "Temos de medir a temperatura para entrar em bares, restaurantes e supermercados. Somos todos humanos mudos, mascarados, nem o bom dia damos mais", acrescenta ela, que está na cidade desde 15 de maio, com o marido e a filha Elena. "Poucas pessoas circulam pelas calçadas, e vão para espairecer porque o confinamento foi pesado. Não tivemos live com aglomeração nem cenários como fazem no Brasil. Ninguém queria correr riscos ou ser multado. Era zero contato mesmo."

Segundo Quitéria, a tensão segue no ar italiano. "A maioria das pessoas está com medo, o olhar é de assombro. É apavorante andar nas ruas, sensação de estranhamento. Esquisito demais ninguém se tocar, todos a pelo menos um metro de distância. A higienização é extrema, pois é assim que salvaremos vidas.

As lojas menores, a bailarina conta, ainda estão fechadas. "Só estão abertas as grandes boutiques, mesmo assim não entra tanta gente de uma vez e há distanciamento entre os clientes e vendedores. Dizem que as escolas devem voltar a funcionar em setembro, mas estão estudando medidas de proteção."

Quitéria encerra: "Espero muito que a vacina chegue logo à população, porque viver assim é triste, sem contato humano".