'É como se nosso filho estivesse vivo em algum cantinho', disse mãe que doou órgãos de menino morto por bala perdida

Marcos Nunes
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De acordo com parentes do pequeno Kaio Guilherme da Silva Baraúna, de 8 anos, que morreu oito dias após ser atingido por uma bala perdida, entre os órgãos do menino que foram doados para transplante estão coração, rins e córneas. A cirurgia de captação aconteceu no próprio Hospital municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, onde Kaio estava internado depois de ter sido transferido do Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, onde havia dado entrado para receber o primeiro atendimento.

Para a professora Thaís Silva, mãe de Kaio, a doação além de ajudar outras pessoas dará a sensação que o garoto continuará vivendo em algum lugar. Segundo ela, a decisão de doar os órgãos foi aceita pela família quase que imediatamente após de ter recebido a notcia da morte.

— Nos aceitamos doar no mesmo instante que nos procuraram para falar sobre a doação de órgãos. Além de ajudar outras pessoas, é como se o nosso filho continuasse vivo em algum cantinho — disse a professora, que não deverá saber que recebeu o transplante dos órgãos.

— Na hora que assinamos os documento de autorização isso foi explicado — completou.

Neste domingo, horas depois da morte, Thaís fez um desabafo falando sobre a decisão de doar os órgãos do filho.

— A gente está fazendo o possível para entender os planos de Deus. E, se Deus achou que seria melhor assim, a gente aceitar. Talvez o propósito disso tudo tenha sido salvar outras vidas. O meu filho se foi, mas eu aceitei a doação de órgãos, e sei que esses órgãos vão ajudar outras crianças. Deus levou uma vida para salvar outras — diz a professora

Thaís esteve, nesta segunda-feira, no Instituto Médico-Legal de Campo Grande, na Zona Oeste, para tratar da liberação do corpo do menino. Ainda não há data nem local definido para o sepultamento. A tendência é que isso ocorra apenas, nesta terça-feira.

— Vou pedir para fazer o sepultamento nesta terça-feira— concluiu.

No dia 16 de abril, Kaio estava numa festa infantil, em um espaço aberto da Vila Aliança, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, quando foi baleado. Ele foi atingido por um tiro quando encontrava-se na fila para pintar o rosto. Inicialmente foi levado para o Albert Schweitzer e posteriormente transferido para o Pedro II,onde passou por uma cirurgia. Na madrugada deste domingo, Kaio não resistiu e morreu.

A 34ªDP (Bangu) abriu um inquérito para apurar o caso.O delegado Luís Maurício Armond Campos, da 34ª DP (Bangu), tem como a principal linha de investigação a hipótese de que o disparo tenha partido da Vila Kennedy. A comunidade tem o tráfico controlado por bandidos de uma facção rival ao do grupo de traficantes da Vila Aliança.

Um dos suspeitos é um homem que cumpria pena por tráfico de drogas até cerca de um mês e meio antes da morte de Kaio Guilherme. Ele já foi intimado a prestar depoimento e deve comparecer à delegacia na próxima terça-feira.