'É como um novo aniversário', diz mãe de jovem atingida por bala perdida no Humaitá no réveillon

Passado o susto, a jovem de 13 anos atingida de raspão nas costas por um disparo de arma de fogo nos primeiros minutos de 2023 já consegue falar sobre o assunto com certa tranquilidade. Nesta segunda-feira, em entrevista concedida ao GLOBO, a adolescente e seus pais afirmaram estar aliviados com a melhora no seu estado de saúde e lamentaram o caso do menino Juan Davi de Souza Faria, de 11 anos, morto quando comemorava o réveillon com a família em Mesquita, na Baixada Fluminense. A adolescente foi atingida por uma bala perdida na varanda do apartamento da avó no Humaitá, Zona Sul do Rio, momentos após a virada do ano.

Atingido na virada: Menino morre na Baixada Fluminense depois de ser atingido por bala perdida

Ilegal: Com cercadinhos a R$ 700 no Réveillon, barraqueiros terão licença cassada, diz prefeitura

— Infelizmente parece que tem se tornado algo comum esse tipo de coisa. A gente teve uma sorte que esse menino não teve. É como se ela tivesse ganhado um novo aniversário. É muito triste ver esse tipo de coisa acontecendo e ver que não são casos isolados — lamentou a mãe da menina.

Inquéritos concluídos: Polícia pede o arquivamento de investigações contra modelo Bruno Krupp pelo estupro de três mulheres

Já a jovem contou sobre o momento em que foi atingida e as horas que se seguiram ao acidente.

— Eu estava na varanda, virada para o lado de Copacabana, filmando os fogos com o celular. Aí pouco depois da virada eu senti uma dor muito forte nas costas e comecei a gritar. Como tinha acabado de ter a virada, cheguei a pensar que tinha sido a rolha de um espumante ou algo parecido. Minha mãe me levou para a sala, e foi aí que vimos o sangue. Todo mundo se desesperou — lembrou.

Incursões em comunidades: PMs do Rio vão usar capacetes durante incursões em favelas para reduzir mortes

A jovem e a mãe contam que a adolescente manteve a calma e não sentiu medo durante o socorro.

— A gente correu para o carro para ir até um hospital. Chegamos a tentar um que não tinha emergência pediátrica e então fomos para Copacabana, que estávamos tentando evitar pensando estar muito cheio por conta do réveillon, mas fomos prontamente atendidos para a avaliação do ferimento. Depois, fomos informados que, por se tratar de um ferimento por arma de fogo, teríamos que aguardar a chegada da polícia. Ela manteve a calma o tempo inteiro, muito mais do que a gente (risos) — contou a mãe da jovem.

Segundo a família, entre o atendimento médico e o depoimento à polícia, passaram-se cerca de quatro horas. Ao contrários dos pais, a menina conseguiu ficar tranquila.

— Acho que vendo a aflição deles (pai e mãe) e o nervosismo geral, acabei ficando mais calma. Pela reação, parecia que eu ia morrer, mas ficava pensando “não pode ser que morrer doa só isso” — brincou a jovem, que ainda usa um curativo no local do ferimento, mas não sente mais dores.

Entrevista: 'Viramos o ano com R$ 12 bilhões em caixa. Isso dá tranquilidade para trabalhar’, diz Cláudio Castro

Na tarde desta segunda-feira, policiais da 10ª DP (Botafogo) e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) fizeram uma nova perícia no endereço da adolescente. De acordo com a família da vítima, a polícia também foi ao local para tomar novos depoimentos da vítima e da avó da garota, que não estava no endereço no dia 1º de janeiro, quando o primeiro trabalho de perícia foi realizado.

A polícia suspeita que o tiro tenha partido do Morro Santa Marta, em Botafogo, que fica próximo ao apartamento. Um projétil foi encontrado no chão da sala.

Segundo a Polícia Militar, agentes do 19º BPM (Copacabana) foram acionados para verificar a entrada da menina na unidade de saúde e constataram o fato. O caso foi registrado na 12ª DP (Copacabana) e encaminhado para a 10ª DP (Botafogo), que faz diligências para apurar a autoria do disparo.