'É duro, mas medidas radicais funcionam', diz pesquisador sobre cidadezinha italiana vizinha a Veneza que controlou vírus

Ana Lucia Azevedo

RIO — No meio ao caos da Itália, atual epicentro global da pandemia, uma pequena cidade e uma universidade mostraram que controlar o coronavírus é possível.

Vizinha à Veneza, Vo Euganeo, no Vêneto, está numa das áreas mais castigadas pela Covid-19. Foi lá que em 21 de fevereiro se registrou a primeira morte na Itália. Mas há uma semana a cidadezinha de 3.300 habitantes não registra casos novos. “É o lugar mais seguro da Itália”, disse o governo do Vêneto, Luca Zaia, à mídia italiana.

Com a ajuda da Universidade de Pádua, Vo Euganeo conseguiu controlar o avanço do coronavírus com testes em massa e quarentena radical. Agiu antes do vírus se espalhar.

Aconselhadas pelos cientistas de Pádua, as autoridades locais testaram todos os habitantes na segunda semana de fevereiro, quando surgiu um infectado, que acabou por morrer. Descobriram que 3% deles estavam infectados, embora nenhum tivesse sintomas. Todos foram colocados imediatamente em isolamento.

A decisão foi colocar em dias toda a cidade em quarentena, antes do resto do Vêneto. Em março, a taxa de infectados havia caído para 0,3% e agora nenhum caso novo foi registrado.

— É duro, mas medidas radicais funcionam — disse o pesquisador da Universidade de Pádua, Andrea Crisanti.