É #FAKE foto de presos com a faixa 'Alexandre Moraes no STF' durante rebelião

Roberta Pennafort (CBN)
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Trata-se de uma montagem. Imagem foi feita durante motim em 2006 no interior de SP e faixa original tem a inscrição 'Contra a opressão'

Uma foto de presos amotinados numa unidade penitenciária com uma faixa em que se lê “Alexandre Moraes no STF” tem sido bastante compartilhada nas redes sociais. Mas ela é #FAKE.

Trata-se de uma montagem. A foto original, do fotógrafo Alex Silva (Estadão Conteúdo), é de uma rebelião na penitenciária de Junqueirópolis, no interior de São Paulo, e foi tirada em maio de 2006, em meio a uma grave onda de violência orquestrada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo.

A imagem foi manipulada digitalmente. A frase original que aparece na faixa é: “Contra a opressão”. A outra inscrição, ao lado, não foi alterada. Os presos rebelados aparecem no telhado da penitenciária, com as faixas presas na caixa d’água do presídio.

O ministro Alexandre de Moraes vem sendo alvo de protestos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro desde a semana passada, quando suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, feita por Bolsonaro. Ramagem é amigo da família.

Para o ministro, houve desvio de finalidade, pois havia indícios de que o presidente pretendia usar o cargo para coletar informações de processos. O entendimento de que foi uma tentativa de interferência política na PF levou à saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, do cargo.

No sábado, um grupo de apoiadores do presidente fez uma manifestação na frente do prédio de Moraes em São Paulo. Os manifestantes gritaram que o ministro do STF é “comunista” e “advogado do PCC”. Três pessoas foram presas, mas foram liberadas após prestarem esclarecimento na delegacia. A Justiça determinou que duas delas mantenham uma distância de pelo menos 200 metros do ministro.

As mesmas acusações a Moraes vêm sendo feitas em posts nas redes sociais desde a decisão da semana passada. A associação do nome dele ao PCC vem sendo explorada desde o governo do ex-presidente Michel Temer, quando ele ascendeu a ministro da Justiça, em 2016, e, em 2017, ao STF.

Isso se deu porque, no período em que Moraes atuava como advogado, ele trabalhou na defesa de uma cooperativa de transportes já investigada por elos com o PCC. No ano passado, Moraes chegou a ganhar indenização na Justiça por ter sido chamado de “advogado do PCC” em texto na internet.