É #FAKE que 170 milhões fizeram inscrição para receber auxílio emergencial do governo federal

Gisele Barros

RIO - Circula pelas redes sociais uma postagem com a afirmação de que 170 milhões de pessoas se inscreveram para receber o auxílio emergencial de R$ 600 oferecido pelo governo federal em meio à pandemia do novo coronavírus. A mensagem diz que Bolsonaro teve 57 milhões de votos, mas houve 170 milhões de inscritos para receber o dinheiro. "Não é fofa a resistência?", diz o texto. O conteúdo da publicação é #FAKE.

Segundo a Caixa Econômica Federal, banco que disponibiliza o auxílio, 51,1 milhões de cidadãos se cadastraram para solicitar o benefício. Destes, 50 milhões já receberam o dinheiro. Ao todo, mais de R$ 35 bilhões já foram creditados. O dado que consta da postagem, portanto, é mais de três vezes o número verdadeiro.

Em comunicado divulgado no último dia 5, a Dataprev, empresa pública responsável por identificar quem tem direito a receber o auxílio emergencial, diz que 97 milhões de cadastros passaram pelos sistemas de conferência e foram homologados pelo Ministério da Cidadania. Destes, 51 milhões foram classificados pelos órgãos como elegíveis e atenderam aos critérios da lei para receber os R$ 600; 33 milhões foram considerados inelegíveis e 14 milhões estão inconclusivos e necessitam de complemento cadastral.

A própria Dataprev diz, porém, que 95 milhões de cidadãos poderão ser beneficiados.

Três grupos têm direito ao benefício: microempreendedores individuais (MEIs), contribuintes individuais (CIs) e trabalhadores informais (Grupo 1); inscritos no Cadastro Único e beneficiados pelo Programa Bolsa Família (Grupo 2); e inscritos no CadÚnico e não beneficiados pelo programa de transferência de renda (Grupo 3).

Além disso, não faz qualquer sentido a relação que a mensagem falsa faz entre quem votou no presidente e quem tem direito, por lei, ao benefício. O projeto do governo, aliás, previa uma ajuda de R$ 200, mas o valor foi aumentado no Congresso.