É #FAKE que fotos de bebês com rabo, excesso de pelos e com braços e pernas a mais tenham relação com vacinação contra a Covid-19

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Circula pelas redes sociais uma mensagem que mostra um político turco em uma entrevista coletiva mostrando imagens de bebês com rabo, com excesso de pelos e com pernas e braços a mais e afirmando que as crianças nasceram assim porque as mães tomaram a vacina contra a Covid-19. É #FAKE.

O político turco exibido no vídeo é Fatih Erbakan, presidente do partido do Bem-Estar. Ele deu uma entrevista e realmente mostrou as fotos, mas ele já é conhecido pela postura antivacina, pela adesão a teorias conspiratórias e pela disseminação de fake news.

Além de suas alegações não terem qualquer base científica, as imagens que ele mostra não têm qualquer relação com os imunizantes.

Uma das imagens, a do bebê com um rabinho, foi alterada e está disponível em um banco de imagens, onde consta, inclusive, o aviso sobre a manipulação digital. "A imagem não é real, é conceitual, conforme detalhado na legenda: 'Bebê humano com cauda, imagem digitalmente manipulada'", diz o diretor de vendas do Science Photo Library, Simon Stone.

A outra imagem, de uma criança com excesso de pelos, mostra, na verdade, uma criança que nasceu com a chamada "síndrome do lobisomem" ou hipertricose. A foto está em publicações de 2014, bem anteriores à atual pandemia do novo coronavírus e das vacinas que buscam superá-la.

Já a foto de um bebê com quatro braços e quatro pernas foi tirada em 2016, bem antes também da atual pandemia e das vacinas contra a Covid, e mostra, na verdade, gêmeos siameses que nasceram presos pelo tronco na Índia, de acordo com registros de jornais locais. Não há nenhuma relação dessa condição com qualquer imunizante tomado pela mãe.

Enquanto mostra as fotos, Fatih Erbakan repete alegações falsas de que as vacinas provocam mutações genéticas ou geram seres geneticamente modificados. O Fato ou Fake já mostrou que não é verdade que as vacinas contra o novo coronavírus possam gerar seres geneticamente modificados.

O político cita especificamente as vacinas da Pfizer e da Moderna. Procurada, a Moderna destaca que "as fotos mostradas não são reais". A Pfizer, por sua vez, destaca que não procede a informação de que a vacina ComiRNAty, da Pfizer e BioNTech, tenha relação com anomalias fetais.

"A Pfizer iniciou globalmente, em fevereiro, os testes clínicos para avaliar a eficácia e segurança do imunizante contra a Covid-19 em mulheres grávidas saudáveis com 18 anos de idade ou mais. As gestantes integram o ensaio mundial da fase 2/3 que foi desenhado como um estudo randomizado em aproximadamente 4 mil mulheres, durante a 24ª e a 34ª semanas de gestação", afirma a fabricante. "O estudo avaliará a segurança, a tolerabilidade e a imunogenicidade de duas doses da ComiRNAtyTM administradas com 21 dias de intervalo. O levantamento também avaliará a segurança nos bebês e a transferência de anticorpos potencialmente protetores da mãe para o filho. Os recém-nascidos serão monitorados até aproximadamente os seis meses de idade", diz.

"A Pfizer faz um trabalho contínuo de farmacovigilância, com monitoramento de potenciais eventos adversos de seus produtos, o que inclui a vacina ComiRNAtyTM. Globalmente a Pfizer já distribuiu 1,6 bilhões doses da vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid-19. A indicação do benefício da vacina ComiRNAtyTM permanece inalterado."

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